Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de agosto de 2015
O dólar não deixará tão cedo o patamar de 3,50 reais. Essa é a avaliação de Marcelo Kfoury Muinhos, economista-chefe do Citi Brasil. O câmbio deve sofrer com a crise de confiança observada no Brasil, à qual se soma a desaceleração da economia chinesa, diz ele.
Na visão de Muinhos, a moeda norte-americana deve se manter entre 3,50 reais e 4 reais nos próximos 12 meses, estabilizando-se em 3,50 reais durante 2017 e 2018. “Essa incerteza do câmbio dificulta a inflação, que deve chegar a 10% neste ano e 5% em 2016. Por isso, não vejo muita condição de o Banco Central flexibilizar a taxa de juros. Ou seja, ficou mais difícil cortar os juros do início de 2016”, afirmou o economista-chefe, que participou nesse sábado do debate “Cenário político-econômico brasileiro: o que esperar em curto e médio prazos?”, na Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro.
Ele declarou ainda que, além dos problemas políticos e econômicos no País, há uma conjuntura internacional desfavorável, o que deve agravar a crise. “Não vemos luz no fim do túnel. Estamos caminhando para uma recessão longa, com quatro a cinco trimestres de queda. Esse ciclo deve durar até o primeiro trimestre de 2016 (…).”
Pressão
No debate, o diretor-geral da agência de classificação de risco Fitch, Rafael Guedes, disse que o rating (nota de crédito) do Brasil está sob pressão. Em julho, após o governo reduzir a meta de superávit primário (economia para pagamento de juros), a Fitch havia dito que reavaliaria a nota do País, que está hoje “BBB” pela agência.
Sem querer dar uma data, Guedes ressaltou que o prazo final para uma decisão da Fitch é abril de 2016. “Mas pode ser a qualquer momento. Se o analista perceber que há mudanças relevantes, ele pode levar para o comitê. O endividamento bruto do País é de 64% superior à mediana dos países classificados com o mesmo rating do País, que é de 40%. E isso coloca mais pressão sobre o rating do Brasil. As notícias não são boas. O que vai ser analisado pelo comitê é a posição construtiva ou não do Congresso.” (AG)
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