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Colunistas “Efeito Cobra”

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(Foto: Imagem gerada por IA)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Vamos direto ao ponto, sem rodeios.

A expressão “Efeito Cobra” foi  originada a partir de uma iniciativa do governo da Índia, à época, sob domínio britânico ao  final do século XIX .

Efeito Cobra  ocorre com a implantação de políticas  públicas ou privadas  com a intenção ou pretexto de reduzir ou eliminar um  problema, mas a ação em si acaba por piorar  a situação inicial.

Vejamos :

Por volta de 1890, a capital da Índia, Délhi,  hoje  Nova Délhi, sofria terrivelmente com uma grande infestação de cobras venenosas.

Os  Governantes  preocupados com os acidentes e mortes criaram  um programa estatal  pagando em dinheiro como recompensa para cada  cobra morta e entregue às autoridades.

De início parecia estar dando certo, porém estas  artificialidades normalmente não levam em conta a variável, humanos e seus flagelos.

Moradores passaram  a criar cobras em viveiros e na sequência buscar o prêmio, como uma  forma de ampliar a renda familiar.

Passado algum tempo,  os governantes descobriram o desvio do objetivo  e suspenderam o pagamento do prêmio por cobras entregues.

Resultado:

 A população que criava cobras em larga  escala, frustrada com a perda do  valor comercial soltaram os répteis nas ruas.

 Com efeito, a quantidade de cobras nas ruas ficou maior do que havia antes do início do projeto.

 O economista alemão Horst Sieberg em 2001 batizou este fenômeno como ” Efeito Cobra”  para denominar os incentivos públicos inócuos  ou perversos.

No Brasil já tivemos algo parecido.

 Em 1906 o governo do Distrito Federal (Rio de Janeiro) implantou o programa  chamado

” A caça aos ratos”.

O  objetivo era combater a peste bubônica transmitida pela pulga dos ratos que infestavam a capital do país.

A Diretoria Geral de Saúde Pública-DF  pagava  em dinheiro uma quantia como recompensa por  cada rato morto entregue no órgão público.

Assim como os indianos com as cobras,  muitos cariocas passaram a criar ratos em viveiros , depois matá-los e vendê-los para o governo.

Havia  comércio varejista de  pequenos  criadores e os grandes atacadistas.

Todos comercializavam os ratos, seja como  atravessadores ou produtores vendendo direto  ao governo.

Chegou ao ponto de  falsificarem ratos com papelão, cera e pedaços de couro para enganar os funcionários do governo.

A solução foi  extinguir a recompensa financeira.  No período de quatro anos cerca de 1, 6 milhão de ratos foram comprados e incinerados.

Mesmo com as  fraudes, a ação  combinada com uma forte limpeza urbana ajudou a reduzir  a  peste bubônica na cidade.

Gestores públicos por mais bem intencionados  que sejam , deveriam admitir que os programas sociais , podem gerar   artificialidades  alterando a essência  do projeto.

 Algo que deveria ser bom para a sociedade se transforma  em  negócio lucrativo de interesse individual e privado  perdendo sua essência no coletivo.

 Atualmente o Programa Bolsa Família é o maior exemplo de ” Efeito Cobra” em nosso país.

Veja os números :

Nos últimos 20 anos, o número de beneficiários  saltou de 11 milhões para 19  milhões de beneficiários inscritos, um  aumento de 75% .

No mesmo período, a população brasileira aumentou de 182 milhões para 214 milhões.

Aumento de 17%  (fonte IBGE e MDS – Ministério de Assistência Social e Combate à Fome).

Resultado:

Em 20 anos, ao invés de reduzir o número de beneficiários, o contingente  quadruplicou em relação ao crescimento populacional.

No  ” Efeito Cobra”, a iniciativa  é sempre a  melhor possível,  entretanto são engolidas por falta de compreensão da realidade de quem faz a gestão  ou outros interesses.

 São erros de avaliação da  burocracia estatal  que não leva em conta a natureza humana e seus  interesses privados de rápido retorno.

Conclusão:

O que  seria para ser investimento para reduzir a pobreza, se transformou em gastos  para   aumentar o problema.

Lembra de algum outro” Efeito Cobra” vigente em nosso país ?

Rogério Pons da Silva 

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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