Terça-feira, 31 de Março de 2020

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Brasil Egípcio tenta retomar vida no Brasil enquanto é investigado pelo FBI por terrorismo

Mohamed Ahmed Elsayed Ahmed Ibrahim, atualmente morando no Brasil, é investigado por suposta ligação com a rede terrorista Al Qaeda (Foto: Divulgação/FBI)

Mohamed Ahmed Elsayed Ahmed Ibrahim, egípcio de 42 anos que vive no Brasil e teve seu nome incluído na lista de procurados do FBI (a polícia federal americana), que o investiga por suposta ligação com a rede terrorista Al Qaeda, tenta retomar sua vida no Brasil enquanto segue sendo investigado.

O egípcio Mohamed Ahmed Elsayed Ahmed Ibrahim estava em lista de mais procurados do FBI. (Foto: Reprodução/Twitter/@FBIMostWanted)

“Não reparem na bagunça. Faz tempo que não entramos aqui”, diz Hajar, 25, esposa do egípcio ao entrar em seu apartamento em um condomínio de Guarulhos. Em meados deste mês, ela e o marido deixaram o pequeno imóvel recém-reformado, onde moram de aluguel, para viver temporariamente na casa de parentes e amigos.

“Os vizinhos exigiram nossa expulsão”, diz ela, que usa um vestido preto longo e os cabelos cobertos por um lenço marrom. “O síndico nos apoiou, mas preferi sair porque não me sinto bem. Nossa vida virou um inferno.”

A brasileira, que foi criada em uma família evangélica na região do ABC paulista e se converteu à religião muçulmana em 2017, aceitou dar entrevista pela primeira vez, com a condição de ter apenas seu nome islâmico divulgado.

O casal se conheceu numa mesquita de São Paulo em abril de 2018 e se casou dois meses depois —o pouco tempo de compromisso é comum entre praticantes da religião. Após a divulgação do nome de Ibrahim nos noticiários, no último dia 12, eles tiveram a rotina transformada.

Além de deixarem a casa onde moravam, dizem que Ibrahim passou a tomar remédios para dormir e a apresentar problemas de saúde: os vômitos constantes, segundo o casal, o fizeram perder 17 kg em três semanas —pesava 84 kg, agora está com 67 kg.

“Lembro do exato momento em que apareceu o rosto dele no Jornal Nacional”, conta Hajar. “Olhei para a TV e vi o brasão do FBI, a reportagem dizendo que é armado e perigoso. Eu me sentia flutuando.”

Dali em diante, o celular dos dois não parou mais de tocar. Conhecidos perguntavam para amigos deles se receberiam recompensa caso entregassem o endereço dele, conta Hajar.

No dia seguinte, Ibrahim entrou em contato com a Polícia Federal e marcou de depor dois dias depois. Na verdade, ele havia estado na PF no próprio dia 12, pouco antes da divulgação da lista do FBI, para protocolar um recurso ao pedido negado de refúgio no Brasil.

No dia 19, o egípcio foi ouvido pelo FBI na sede do Ministério Público Federal. Depois disso, seu nome foi retirado da lista de procurados, já que ele não estava foragido. A investigação na polícia americana continua e é sigilosa.

Também há um inquérito sob sigilo na PF brasileira desde o início do ano. De acordo com fonte ligada ao caso, essa investigação foi aberta a pedido do FBI e até o momento se mostrou inconclusiva.

Para a polícia americana, Ibrahim é suspeito de ter auxiliado no planejamento de ataques contra os EUA e de oferecer apoio material à Al Qaeda. A lista de procurados não explicava de quais ataques o egípcio teria participado.

No depoimento, o FBI deu a entender que suspeita que uma empresa de transporte da qual é proprietário na Turquia, onde morou antes de vir para o Brasil, levasse terroristas para áreas de conflito, como a Síria. Ibrahim nega, e o advogado dele diz que não foram apresentadas provas.

“Mostraram fotos de suspeitos dizendo que foram encontradas no celular do meu cliente, mas eram fotos impressas. Como saber se vieram do celular dele?”, diz Musslim Ronaldo Vaz. “Também apresentaram comprovantes de transferências, dizendo que ele recebeu dinheiro de terroristas. Mas apagaram os nomes de quem enviou e de quem recebeu. Não havia nenhuma vinculação com o Mohamed.”

Ibrahim diz que tem contas no Egito, na Turquia e no Brasil. “Disse a eles: ‘Me mostrem US$ 1 de transferências minhas para pessoas más’. Me mostraram uma foto do Osama bin Laden e perguntaram se eu o conhecia. Eu ri: ‘Qualquer criança conhece esse homem. Eu o conheço, mas nunca o encontrei’.”

Na semana passada, o FBI confirmou à reportagem que retirou o nome do egípcio da lista de procurados, mas informou que não faria mais comentários sobre o caso. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

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