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Economia El Niño deve elevar projeção oficial de inflação no país para este ano

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É esperada pressão de alta nos preços do arroz e do feijão, porque a área plantada foi reduzida. (Foto: Reprodução)

O Ministério da Fazenda deve revisar para cima sua projeção oficial para a inflação em 2026 por ver um viés de alta em relação à estimativa feita em maio, de 4,5%, diante do fenômeno climático El Niño e outros fatores, disse a secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire.

Em entrevista ao portal Jota, a secretária afirmou que o governo tem hoje mais clareza de que o El Niño “vem forte”, o que deve minimizar o arrefecimento da inflação que era esperado para o segundo semestre deste ano.

“A gente já esperava um El Niño mais agressivo, mas agora esse cenário está se consolidando de forma mais robusta. Então, devido a isso, a gente entende que há um risco, há um vetor altista para a inflação neste ano”, disse.

Atualmente, a meta de inflação é de 3%, podendo variar até 1,5 ponto. Assim, o aumento da projeção levará à superação da margem de tolerância. “Em termos do IPCA, a nossa projeção está com viés de alta”, disse Freire ao Valor Econômico. Ela acrescentou que na “última [grade de parâmetros macroeconômicos] estávamos com 4,5%, revisamos para cima e continua com viés de alta para a próxima grade, por causa do El Nino e de questões estruturais da oferta”.

É esperada pressão de alta nos preços do arroz e do feijão, porque a área plantada foi reduzida. Além disso, carne e leite devem ser impactados pelo chamado “ciclo do boi”, uma variação de preços decorrente do manejo dos rebanhos.

Oriente Médio

Em relação aos efeitos do fim do conflito no Oriente Médio sobre a política fiscal, ela afirmou que a queda das receitas decorrente da redução do preço do petróleo não preocupa, já que um Brent mais baixo fazia parte do cenário considerado na elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.

“Antes desse conflito, a gente já tinha um cenário de cumprimento da meta, um cenário fiscal organizado”, disse. Ela acrescentou que o governo não trabalha com uma folga fiscal caso o Brent permaneça numa média em torno de US$ 70 por barril, patamar atual.

Contas públicas

Freire afirmou ainda que a pasta vê uma estabilidade em relação à projeção feita em maio para a atividade econômica do país, que apontava para uma alta de 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.

A secretária ponderou que os números, que serão divulgados oficialmente mais tarde neste mês, ainda passam por avaliação e poderão ser ajustados.

Freire acrescentou que a elevação de juros em economias avançadas traz um cenário mais desafiador para o crescimento econômico do Brasil em 2027. Segundo ela, uma expectativa de taxa Selic mais alta do que o previsto anteriormente também pode gerar efeitos sobre a atividade.

Em relação às contas públicas, a secretária disse que o arcabouço fiscal implementado pelo atual governo está cumprindo sua função de fazer uma consolidação gradual. “Nossa expectativa é que o arcabouço fiscal faça a convergência da dívida pública no médio prazo, não no próximo ano”, afirmou.

Ela reconheceu que há desafios fiscais, sendo necessário conter o crescimento de despesas obrigatórias dentro do limite de alta real de 2,5% por ano para gastos estabelecido pelo arcabouço, além de ampliar a formalização de trabalhadores, o que geraria impacto positivo sobre contribuições previdenciárias. (As informações são da Folha de S. Paulo, Valor Econômico e Jota)

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