Domingo, 11 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 11 de outubro de 2026
As mudanças climáticas têm alterado os padrões de chuva e dificultado a previsão do comportamento do clima com base em dados históricos. Cenários atuais apontam para um clima cada vez mais diferente do observado no passado. Especialistas apontam que a primavera de 2026, que começou em 22 de setembro, sofre influência do El Niño.
O engenheiro ambiental de Itapetininga (SP), Vinicius Mori Valio, mestre em Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo (USP), explica que estudos relacionados ao clima costumavam ser baseados em séries históricas de dados. “Tudo o que tínhamos de experiência dos dados antigos não vale mais, porque os cenários mostram um clima cada vez mais descontrolado e diferente daquilo que a gente estava acostumado”.
Uma das mudanças pode ser observada nos dados do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro). O mês de setembro deste foi o mais chuvoso dos últimos dez anos na série analisada.
Especialistas apontam que a primavera de 2026, que começou em 22 de setembro, sofre influência do El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. De acordo com a tenente Ludmyla Alcântara, da Defesa Civil estadual, a primavera será marcada por instabilidade climática e com oscilação na temperatura.
“Será uma junção de calor, onda de calor com frente fria. Sempre a onda de calor antecipando com a chuva, ou tá acumulados altos, as tempestades, as rajadas de vento. E ficaremos assim até o final da estação”, disse.
Uma dessas mudanças na paisagem foi registrada em Itapetininga, após o transbordamento do rio que leva o mesmo nome da cidade em 20 de setembro. A água entrou em casas, ranchos e fazendas, atingindo mais de 370 famílias. De acordo com as medições, o nível do Rio Itapetininga chegou a oito metros. O cenário atípico assustou os moradores e especialistas. A Prefeitura de Itapetininga informou que o nível do rio está baixando gradativamente.
Das 15 áreas afetadas pela inundação, nove já foram liberadas após a água retornar à calha do rio. Os moradores desses locais estão autorizados a acessar os imóveis e iniciar a limpeza.
Para Vinicius, uma das saídas existentes para enfrentar as mudanças climáticas está na organização dos espaços urbanos. “A saída para enfrentar essas mudanças está nas mãos dos governos, que precisam organizar as cidades para que os efeitos sejam amenizados. Tentar fazer com que as cidades sejam mais resilientes, mudar o padrão de escoamento de água, criar mais áreas de infiltração e diminuir as áreas de escoamento superficial, para atrasar essa água que chega aos corpos hidricos”, aponta
El Niño
O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e muda padrões de chuva, temperatura e vento em várias regiões do planeta.
Embora aconteça no Pacífico, os efeitos acabam se espalhando para diferentes continentes. É por isso que uma mudança na temperatura do mar perto do Peru e do Equador consegue influenciar o clima no Brasil, na Ásia, na África e até na América do Norte.
Em condições normais, os chamados ventos alísios sopram de leste para oeste sobre o Oceano Pacífico, empurrando as águas quentes em direção à Indonésia e à Austrália. Esse movimento favorece a permanência de águas mais frias próximas à costa da América do Sul.
Durante o El Niño, porém, esses ventos enfraquecem. Com isso, as águas quentes se deslocam de volta para o Pacífico Central e Leste, provocando mudanças na atmosfera.
Essa alteração na circulação atmosférica interfere no regime de chuvas e nas temperaturas de diferentes regiões do mundo.
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