Segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 14 de junho de 2026
“Nem um, nem outro, mas nenhum outro”. A frase é paradoxal, mas traz um bom resumo do posicionamento do eleitor brasileiro no momento da disputa eleitoral polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência. Líderes hoje em rejeição, eles até poderiam abrir um flanco importante para que outro nome pudesse se consolidar como alternativa em 2026 em meio a uma insatisfação geral com o quadro político. Contudo, com os nomes hoje testados, mesmo se Flávio ou Lula desistisse, haveria desafios para que um dos demais chegasse ao segundo turno.
Quando olhamos os dados exclusivos da pesquisa Genial/Quaest sobre a segunda opção de voto dos eleitores, percebemos que, na ausência de Lula ou de Flávio Bolsonaro, a intenção de voto se dissipa e, em grande parte, não vai para nenhum outro nome, o que poderia até facilitar a vitória do candidato que sobrasse no primeiro turno da disputa presidencial – em vez de viabilizar uma alternativa à atual polarização na corrida eleitoral.
O caso de Flávio é mais interessante de observar já que, diante da pressão gerada pela revelação de áudios com Daniel Vorcaro pedindo dinheiro para o filme de Jair Bolsonaro, há quem entenda, em seu campo, que se o sangramento de sua candidatura continuar, o melhor seria apoiar outro nome na disputa para evitar uma vitória de Lula.
Hoje, os eleitores dizem que, se Flávio Bolsonaro deixasse a disputa, 29% dos seus votos não iriam para ninguém, transformando-se em brancos, nulos ou eleitores que dizem que não iriam votar. Outros 15% são de eleitores que passariam a se colocar como indecisos.
Os demais votos de um Flávio fora da disputa seriam diluídos, o que é outro desafio para os nomes da terceira via. Sobretudo Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), historicamente alinhados ao bolsonarismo. Como nenhum deles se sobressai, a divisão se daria praticamente meio a meio: 16% iriam para Zema e 14% para Caiado. Haveria ainda 7% migrando para Aécio Neves (PSDB) – caso esse seja candidato – e 5% para Cabo Daciolo (Mobiliza) e para Renan Santos (Missão). Até mesmo Lula herdaria uma pequena fatia dos votos: 3%, segundo a Genial/Quaest.
Como Lula teria hoje cerca de 48% dos válidos (excluindo brancos, nulos e indecisos no levantamento), a ida de um contingente expressivo de 29% do que tem hoje Flávio (no geral, 29% dos totais e 35% dos válidos) para os brancos e nulos poderia dar, em tese, chance de o petista liquidar a eleição no primeiro turno.
O contrário também seria verdadeiro, já que 36% dos votos de Lula iriam para brancos e nulos ou eleitores que ficariam fora das urnas em caso de desistência do petista. Esse cenário, porém, é menos provável, considerando que a ausência de Lula tenderia a levar à entrada de outro nome à esquerda apoiado pelo PT e seus aliados.
O levantamento da Genial/Quaest também mostra que Flávio Bolsonaro é a segunda opção de 31% dos eleitores de Ronaldo Caiado. Isso significa que uma eventual desistência dele beneficiaria mais o filho do ex-presidente do que outros que têm acenado com a possibilidade de uma aliança com Caiado, como Romeu Zema e Renan Santos. Zema ficaria apenas com 8% dos eleitores do ex-governador de Goiás e, Renan Santos, com 4%. Para comparação, Lula herdaria 6%. São 21% os que votariam em branco ou nulo ou que não iriam votar.
No caso da saída da disputa de Renan Santos, a pulverização seria maior: 19% iriam para Zema, 13% para Ronaldo Caiado, 14% para Flávio Bolsonaro e 9% para Lula, entre vários outros, com 18% indo para brancos/nulos e eleitores que não iriam votar.
Em relação a Caiado e Renan, porém, o impacto da desistência é menor, considerando que eles representam apenas 3% do eleitorado total cada um atualmente.
Os dados Genial/Quaest também mostram que Zema é o mais citado como segunda opção de voto do eleitor do Sudeste (12%) e Sul (8%), Caiado no Centro-Oeste (14%) e Aécio no Nordeste (7%).
Quanto à faixa etária, Zema (10%), Caiado (9%) e Aécio (9%) se dividem como preferência em segundo voto na faixa de 35 a 59 anos, Caiado (11%) é o mais citado entre os que têm 60 anos ou mais e Flávio Bolsonaro (8%) é o mais lembrado no grupo de 16 a 34 anos.
Um alento para Flávio Bolsonaro, caso haja mudança no cenário de candidatos, é que, no grupo hoje considerado decisivo nas eleições, 12% apontam o pré-candidato do PL como segunda opção de voto caso seu candidato, seja ele qual for, desista. Lula aparece com metade (6%) nesse grupo. (Ricardo Corrêa/Estadão Conteúdo)
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