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Brasil Em 2017, uma professora foi agredida por um de seus alunos, que desferiu socos contra ela após ser expulso da sala de aula por mau comportamento

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Professora Marcia Friggi foi agredida em uma escola estadual em Santa Catarina. (Foto: Reprodução/Facebook)

“Alguns professores não conseguem retornar à sala de aula, eu sei que não é fácil. Voltar não foi uma vitória minha, mas do tratamento para ansiedade e depressão. Se não fosse por esse apoio, não conseguiria”. O relato é da professora de Língua Portuguesa e Literatura Marcia Friggi, 53 anos, que há pouco mais de um ano teve uma foto sua, com o rosto ensanguentado, compartilhada nas redes sociais. Em agosto de 2017, ela foi agredida por um de seus alunos, um adolescente que desferiu socos contra ela após ser expulso de sala por mau comportamento.

A professora não voltou à escola onde ocorreu a agressão e acha que nunca conseguirá fazer isso. Ficou seis meses afastada da sala de aula e agora leciona apenas em uma escola estadual em Santa Catarina. “Aquele fato não pode destruir a minha profissão, a importância do professor e do conhecimento. Preciso aprender com o que ocorreu para contribuir com a sociedade, melhorar a nossa situação”, disse, em entrevista ao jornal o Globo.

Na última semana, o caso do professor Thiago dos Santos Conceição, humilhado por alunos de uma escola em Rio das Ostras, gerou comoção. Os casos de violência em sala de aula se repetem. Aqueles que passaram por esse tipo de situação – e que inclusive geraram forte repercussão nas redes sociais – afirmam que, depois que a comoção passa, o trauma fica, evidenciado em marcas psicológicas ou físicas.

Marcia, por exemplo, hoje trabalha na criação de um projeto de lei, ao lado de um inspetor do Rio também agredido, com foco no amparo aos profissionais da educação que sofrem violência e na prevenção destes casos.

De acordo com um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o primeiro entre 34 países em um ranking de violência em escolas. Na pesquisa, feita com dados de 2013, 12,5% dos professores ouvidos no país disseram que são vítimas de agressões verbais ou intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), de julho deste ano, a cada três dias um professor é ameaçado dentro de escolas no estado do Rio. Ao todo, em 624 ocasiões, professores denunciaram à Polícia Civil ameaças dentro de estabelecimentos de ensino no estado de 2014 a 2017.

No fim de agosto, o professor de matemática recém-formado Tiago Assis Silva, de 25 anos, de Camanducaia, em Minas Gerais, também se viu como parte dessas estatísticas. Ele foi agredido fisicamente por dois alunos, depois que pediu que parassem de jogar bola em sala. Os estudantes foram transferidos da escola, mas ele continuou. Não tem sido fácil, e, agora, o professor busca atendimento psicológico.

“Se eu tivesse mais experiência, poderia até ter contornado a situação. Mas é preciso começar de alguma forma”. Disse. “Emocionalmente, ainda não estou bem. Não estou mais contente em dar aula. Mas quero continuar a vida acadêmica.”

Medidas pedagógicas

A violência atinge também quem já tem larga experiência, como o professor de Sociologia da rede estadual do Rio Francisco Potiguara Cavalcanti, agredido verbalmente por um aluno durante uma aula sobre ética e moral. Em décadas de docência, foi a primeira vez que passou por isso.
“Disse (a um grupo de estudantes que mexia no celular): ‘Se quiserem, podem usar o aparelho, mas lá fora’. O aluno jogou o livro na carteira, bateu a mesa na parede e saiu. Eu o repreendi e a partir da aí ele me mandou “tomar no c…”. Mais de uma vez”, lembra.

Para o professor, a escola tem que aprender com situações como essa e optar por medidas pedagógicas, além da punição. Um dos caminhos seria convocar um “conselho escolar”, com a participação dos professores, alunos, funcionários e pais, para discutir o problema:

A educadora Miriam Abramovay concorda e chama a atenção para uma valorização do aluno como parte integrante da escola.

“É importante que os jovens tenham voz e uma escola em que se enxerguem. É preciso ensinar também o que tem a ver com o cotidiano deles. Temos que repensar que educação essas crianças e jovens querem e que podemos dar para o seu futuro. Ou então teremos outros casos como do professor de Rio das Ostras”, afirma a coordenadora de juventude e políticas públicas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.

É preciso ainda, diz ela, reverter um clima escolar que muitas vezes é marcado pela violência. Soluções imediatistas, como a presença da polícia, não são o ideal, enfatiza.
A prevenção é o caminho, dizem especialistas. Nesse sentido, trabalhar um ambiente de paz nas escolas através do respeito às diferenças é função da escola, segundo Telma Vinha, da Faculdade Educação da Unicamp.

“É preciso pensar em ações em que ensinem a controlar impulso, a substituir agressão por diálogo”, destaca. “A família é a primeira instituição socializadora, mas educa para o âmbito privado. A escola, para o público.”

 

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