Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de abril de 2021
Maioria dos casos avaliados pelo STF segue para instâncias inferiores, mostra estudo.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência BrasilLevantamento obtido pelo Estadão aponta que, em ações que envolvem réus com foro privilegiado avaliadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), apenas 3% resultaram em condenação. Na maioria dos casos (58%) as ações foram remetidas a instâncias inferiores por perda de prerrogativa de função do réu antes da conclusão do julgamento. Outros 13% prescreveram e 16% estavam à espera de conclusão. Em 10% dos casos os réus foram absolvidos.
Os números se referem a matérias analisadas pela Corte entre os anos de 1989 e 2016. Para especialistas, o não julgamento privilegia investigados e pode contribuir para a impunidade.
Cientista político e um dos autores da pesquisa, José Gomes Neto afirmou que o não julgamento de autoridades públicas no STF tem sido “silencioso” nos últimos anos. “Os ministros argumentam que estão cumprindo com as garantias necessárias do processo. Mas ter como resultado normal a prescrição ou a realocação de instância mostra que não está havendo uma tramitação necessária para se julgar”, disse o professor da Universidade Católica de Pernambuco.
Um caso recente de mudança de foro foi o do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. O inquérito aberto para investigar a suposta omissão na crise do Amazonas foi enviado à primeira instância no dia 24 de março, após Pazuello deixar o ministério.
O grande problema da transferência de responsabilidade, segundo especialistas, é que o “cronômetro processual” continua rodando. “Há um custo de tempo maior ao processo, e esse custo aumenta as chances de impunidade, já que uma parcela de processos prescreve”, disse o professor do Insper, Ivar Alberto Hartmann.
Um caso emblemático foi o do ex-senador Ronaldo Cunha Lima. A ação que julgava tentativa de homicídio contra seu antecessor, Tarcísio Burity, ficou cinco anos tramitando no Supremo. Em 2007, às vésperas de a ação ser julgada, ele renunciou ao segundo mandato de deputado federal. O processo, então, voltou para a Justiça da Paraíba e foi arquivado em 2012, com a morte de Cunha Lima.
Em 2015, duas ações que miravam os então senadores Marta Suplicy e Jader Barbalho prescreveram quando ambos completaram 70 anos – o prazo de prescrição de um crime cai pela metade quando o réu atinge essa idade.
A edição de 2017 do estudo Supremo em Números, da FGV, também tratou do foro privilegiado no Supremo. Hartmann foi um dos autores da pesquisa, que chegou à conclusão de que apenas 5,94% das ações penais começam e terminam no Supremo.
Mas por que o Supremo deixa de julgar grande parte dessas ações? Não há uma só resposta, porém Hartmann acredita que o pouco incentivo seja uma delas. “Encontramos processos que estavam conclusos por anos e bastava o ministro tomar providências, mas ele escolheu não fazer nada. Soma-se a isso a ausência, por parte do tribunal, de estímulos adequados à eficiência especificamente nos casos do foro privilegiado”, disse.
Para a professora de direito processual penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Marta Saad, os dados indicam que o Supremo não tem, realmente, vocação para funcionar como juiz de primeiro grau.
“Na prática, o STF dirige esforços para aquilo que realmente se espera de uma corte constitucional, cuja função primária é revisar possíveis infrações à Constituição”, afirmou Marta. Não à toa, a pesquisa dos cientistas políticos José Gomes Neto e Ernani Carvalho mostra que as ações de controle de constitucionalidade continuam sendo a pauta mais julgada pelo plenário da Corte.
Crimes
O estudo conclui que crimes eleitorais têm três vezes mais chances de condenação do que o de corrupção. Já entre os réus não julgados, senadores possuem 3,1 vezes mais chance de seus processos permanecerem parados sem decisão, enquanto que deputados federais possuem 6,2 vezes mais chances de ser verificada a ausência de decisão nos seus processos.
Nos últimos anos, o Supremo tem se movimentado para restringir as hipóteses do foro. Em 2001, a prerrogativa foi reduzida apenas ao período em que as autoridades exerciam suas funções públicas. Em maio de 2018, os ministros determinaram que deputados e senadores só teriam foro garantido em caso de crimes cometidos durante o mandato e em função do cargo que ocupam.
Por meio de nota, o STF afirmou que o tempo de tramitação varia de acordo com a complexidade de cada ação e com os tipos de ritos, recursos e procedimentos. “A Secretaria Judiciária e os gabinetes acompanham periodicamente os prazos de prescrição dos processos em andamento. O mesmo acompanhamento é realizado pela presidência do tribunal a partir da liberação dos casos pelo relator para a devida inclusão oportuna em pauta.” Com informações do portal Terra.
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Nada de novo, o STF tem o rabo preso com a maioria dos corruptos
Esse foro privilegiado é a maldição do povo brasileiro pois,
nos mantém sustentando uma rafuagem infiltrada no poder
da república e de lá não saem pois o STF, (outra Maldição) os mantem em seus postos, assaltando e se locupletando nos nossos impostos. enquanto existir essa ABERRAÇÃO no
governo, somos apenas escravos dessa bandidagem travestida de “OTORIDADE PARLAMENTAR”…. Vermes.
Brasília é a capital mundial do lobby e da corrupção pública! Nos tempos bíblicos poderia ser considerada como Sodoma, Gomorra, ou as duas juntas!
Quer dizer que não pegam os grandes predadores…. só cai na rede do STF, peixe pequeno…. tubarão é liberado..??!! A questão é saber porque???….. – Relacionamento??? – Escritórios de advocacia de parentes??? – Os tubarões por roubar altas somas…. tem muita grana para comprar qualquer coisa??? – Contas no exterior??? O importante é que temos que entender o que está liberando os Tubarões….. Existe um Mecanismo bem lubrificado; escritórios de ADV de Brasilia, com relaçoes criminosas com o STF(sempre os mesmos escritórios??!!)……. e alimentado o que sustenta toda esta podridão….este cancer… PF, Tribunais de Contas, Receita, ABIN…. Não conseguem encontrar… Leia mais »
Todo esse blá, blá, blá, confirma que o Brasil não precisa de um STF com integrantes ganhando salários altíssimos mais mordomias com dinheiro pago pelo povo sofrido com desigualdades sociais e que hoje vive sob a ditadura branca imposta por estas pessoas.
Aqui no Sul se diz que: “viram o cocho onde comem”.
Vergonha!