Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de outubro de 2018
O candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro, enviou uma carta ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello após o magistrado classificar como ‘inconsequente e golpista’ as declarações do filho do candidato, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que disse que bastam “um soldado e um cabo” para fechar o Supremo. No texto enviado ao decano, o presidenciável afirma que o Supremo é o “guardião da Constituição” e que “todos temos de prestigiar a Corte”.
Na carta, Bolsonaro fala ainda em “angústias” e “ameaças” sofridas durante a campanha das eleições 2018 – o candidato sofreu um atentado no dia 6 de setembro em Juiz de Fora (MG). “Quero, por escrito, deixar claro que manifestações mais emocionais, ocorridas nestes últimos tempos, se mostram fruto da angústia e das ameaças sofridas neste processo eleitoral.”
Outros ministros do Supremo também se manisfestaram sobre as declarações de Eduardo Bolsonaro. Alexandre Moraes afirmou que fala de deputado é “absolutamente irresponsável” e pediu investigação da PGR (Procuradoria-Geral da República). Em nota oficial, o presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, saiu em defesa da Corte e afirmou que “atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia”.
Nesta segunda, Bolsonaro já havia se pronunciado sobre as declarações do filho. “Eu já adverti o garoto”, afirmou o candidato sobre o filho de 34 anos. “É meu filho. A responsabilidade é dele. Ele já se desculpou. Isso aconteceu há quatro meses. Ele aceitou responder a uma pergunta sem pé nem cabeça, e resolveu levar para o lado desse absurdo aí. Temos todo o respeito e consideração com os demais poderes, e o Judiciário obviamente é importante.”
Ataques a Rosa Weber: “vídeo imundo e abjeto”
O ministro Celso de Mello, decano do Supremo, reagiu enfaticamente a um vídeo que circula nas redes sociais com ataques à sua colega, a ministra Rosa Weber. “Vídeo imundo e abjeto”, disse o ministro, na sessão da Segunda Turma do Supremo, desta terça (23), em que se solidarizou à ministra presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
“Circulou, na Internet, um vídeo com criminosas ofensas morais à honra, à dignidade, à alta respeitabilidade e à integridade pessoal e ilibada reputação da eminente Ministra Rosa Weber, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, juíza deste Supremo Tribunal Federal e magistrada de irrepreensível conduta profissional!”, disse Celso de Mello.
A Segunda Turma decidiu pedir à Procuradoria-Geral da República que investigue o vídeo em que um homem identificado como coronel do Exército e apoiador de Jair Bolsonaro dispara uma série de ofensas a integrantes da Corte. Rosa é chamada de ‘salafrária’, ‘corrupta’ e ‘incompetente’.
Celso de Mello disse. “O discurso imundo, sórdido e repugnante do agente que ofendeu a honra da ministra Rosa Weber, uma mulher digna e magistrada de honorabilidade inatacável, que exerce, como sempre exerceu, a função judicial com talento e isenção, de modo sóbrio e competente, exteriorizou-se mediante linguagem profundamente insultuosa, desqualificada por palavras superlativamente grosseiras e boçais, próprias de quem possui reduzidíssimo e tosco universo vocabular, indignas de quem diz ser Oficial das Forças Armadas, Instituições permanentes do Estado brasileiro que se posicionam acima das paixões irracionais e não se deixam por elas contaminar, paixões essas que cegam aqueles que, a pretexto de exercerem a liberdade de palavra, que constitui um dos mais preciosos privilégios dos cidadãos da República, resvalam para o plano subalterno da prática abusiva e criminosa da calúnia, da difamação e da injúria.”
Ainda Celso de Mello. “O primarismo vociferante desse ofensor da honra alheia faz-me lembrar daqueles personagens patéticos que, privados da capacidade de pensar com inteligência, optam por manifestar ódio visceral e demonstrar intolerância radical contra os que consideram seus inimigos, expressando, na anomalia dessa conduta, a incapacidade de conviver em harmonia e com respeito pela alteridade no seio de uma sociedade fundada em bases democráticas.”
Na avaliação do decano, o vídeo “constitui verdadeiro corpo de delito comprobatório da infâmia”.
“Todo esse quadro que resulta do vídeo imundo e abjeto que mencionei, vídeo esse que, longe de traduzir expressão legítima da liberdade de palavra, constitui verdadeiro corpo de delito comprobatório da infâmia perpetrada por referido autor das ofensas morais, leva-me a repudiar com veemência e a desprezar com repugnância tão desonroso comportamento em que incidiu o militar em questão, não só para vergonha e ultraje do sentimento de decência que nos anima a todos, mas, sobretudo, para constrangimento da Força Singular a que diz pertencer!”
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