Domingo, 20 de setembro de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
26°
Partly Cloudy

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Em conversa reservada com Donald Trump sobre a Venezuela, Bolsonaro rejeitou ação militar

Compartilhe esta notícia:

Em sua principal reunião bilateral durante a cúpula do G20, no Japão, Bolsonaro disse a Trump que era preciso pensar no dia seguinte. (Foto: Marcos Correa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro deixou de lado sua postura de alinhamento a Donald Trump ao descartar a consulta do mandatário norte-americano sobre apoio brasileiro a eventual ação militar na Venezuela. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Em sua principal reunião bilateral durante a cúpula do G20, no Japão, Bolsonaro disse a Trump que era preciso pensar no dia seguinte e afirmou que o Brasil não pode adotar essa linha na América do Sul.

No encontro reservado, Bolsonaro se afastou da idolatria manifestada publicamente ao americano e adotou postura pragmática ao apresentar suas preocupações com a empreitada sugerida pelo aliado.

O diálogo mostra um agir diferente do presidente brasileiro em suas declarações públicas e em privado, na qual a objetividade eventualmente parece se sobrepor a ideologias e alinhamentos preferenciais do governo brasileiro.

A reunião ocorreu em 28 de junho, no segundo encontro entre os dois líderes. O primeiro deles foi em março, quando Bolsonaro deixou a Casa Branca com as promessas de que o Brasil contaria com o apoio americano para ingressar na OCDE, o clube dos países ricos, e de que o país se tornaria aliado prioritário extra-Otan, o que se confirmou na última semana.

A Folha reconstituiu o diálogo entre os líderes com pessoas presentes no encontro. Na presença de auxiliares, os presidentes trataram de temas como as eleições na Argentina e a busca de uma solução para pôr fim ao regime do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

De acordo com os relatos feitos à reportagem, Trump se mostrou disposto a fazer uma ação conjunta com o Brasil para provocar mudanças no país sul-americano em crise. Ele sondou então se o brasileiro via a possibilidade de uma intervenção militar conjunta.

Bolsonaro prontamente descartou essa alternativa. O presidente brasileiro argumentou que as Forças Armadas do Brasil foram enfraquecidas nas últimas duas décadas e ponderou que a topografia do país vizinho favorece o regime, porque beneficia a atuação de guerrilhas locais.

Bolsonaro destacou ainda que o patrocínio do Brasil a esse tipo de ação traria “problemas sérios” à região.

Militares que auxiliam o presidente já o aconselharam diversas vezes a se manter distante de uma solução que envolva o emprego de força. Há um temor de que isso possa resultar em retaliações internacionais, desaprovação por parte da população brasileira e até mesmo derrota.

Bolsonaro costuma se dirigir ao regime venezuelano com fortes críticas, associando o governo do país vizinho a Cuba, e os filhos do presidente com frequência ligam a ditadura de Maduro ao tráfico de drogas.

Um deles, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, indicado pelo pai para o cargo de embaixador do Brasil em Washington, já defendeu a intervenção militar na Venezuela.

Ainda no encontro no Japão, Trump elogiou a ajuda do Brasil e disse que Bolsonaro tem agido “com mão firme” na busca de uma alternativa a Maduro, mas o presidente brasileiro alertou o americano de que o país está “no seu limite”.

Como alternativa, Bolsonaro diz que sanções econômicas ao regime de Maduro “são bem-vindas”. Na segunda-feira (5), o governo americano intensificou as ações desse tipo e ordenou o congelamento total de ativos do regime do ditador venezuelano.

Essa é uma prática dos americanos imposta a nações adversárias, como Cuba e Irã.

A possibilidade de que o Brasil patrocine restrições econômicas à Venezuela foi abordada ainda durante o G20 pelo porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros.

Num conceito mais amplo, que é de se imaginar que, por meio da pressão econômica, nós vamos conseguir viabilizar a democracia na Venezuela, poderá, eventualmente, ser analisada alguma ação para que haja a desidratação do suporte de atores que possam introduzir algum suporte econômico na Venezuela”, disse ele durante o encontro.

Rêgo Barros, porém, tratou o tema como uma possibilidade remota e não deu detalhes sobre o que poderia ser feito.

Durante a conversa reservada com Trump, Bolsonaro e o americano ainda trataram das eleições na Argentina em tom de preocupação de uma eventual derrota de Maurício Macri pela chapa de Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice.

O brasileiro propôs que Trump visitasse a Argentina antes das eleições, em outubro, em sinal de apoio a Macri. Também sugeriu uma reunião com outros líderes latino-americanos de direita e a apresentação de “um pacote” de soluções para evitar o que chamou de “surgimento de uma nova Venezuela na América do Sul”.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

ONG aponta empresa brasileira fazendo esquema de corrupção na África
Donald Trump assina ordem congelando todos os bens do governo da Venezuela em território americano e sujeitando a punições qualquer entidade que fizer negócios com aquele país
Pode te interessar