Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de março de 2016
Em El Salvador você pode ser morto por cuidar da filha do presidente, como ocorreu com Misael Navas. Ou por ser professora em uma região disputada por gangues, caso de Sandra Rivera. Ou simplesmente por marcar um gol contra uma equipe de criminosos.
Esse foi o caso de Cristian Alexander Campos Sosa, 19 anos, assassinado em San Martín, a cerca de 20 quilômetros da capital, San Salvador. Os três episódios expõem o nível de violência que atinge El Salvador, país de 6,5 milhões de habitantes que registrou 6.657 mortes violentas em 2015 – taxa de 103 por 100 mil habitantes.
Sosa trabalhava em uma empresa de laticínios. Não tinha vínculo com gangues ou quadrilhas. A polícia encontrou indícios de 14 disparos, e acredita que ele tenha sido alvo de membros de gangues, embora não haja provas até o momento. O pai de Sosa disse acreditar que o filho tenha sido morto por soldados das Forças Armadas, que atuam na segurança pública desde 2009, ano em que assumiu o primeiro governo de esquerda, de Mauricio Funes.
Afirmou que, dias antes do homicídio, ele havia sido ameaçado e agredido por soldados por causa de um gol. “Meu filho estava sob ameaça de soldados. Moramos uma região dominada pela [gangue Bairro] 18 e esses soldados apoiam mais os integrantes”, ressaltou. “Então o menino jogou contra uma equipe protegida pelos soldados e marcou um gol.”
O pai disse também que seu filho chegou a ser agredido por soldados. “Disseram que iriam matá-lo na outra vez que o encontrassem, que iriam parti-lo em pedaços porque havia marcado um gol contra o time de que cuidavam.”
A polícia não confirmou a hipótese do gol nem a eventual participação de soldados – mas essa não é uma acusação rara.
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