Sábado, 03 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de outubro de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de ir ao debate presidencial da TV Globo marcado para a noite de quinta-feira (1º). A campanha do candidato afirma que ele cancelou a participação devido à decisão da ministra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Estela Aranha, que, no mesmo dia, havia determinado à TV Globo a retirada do púlpito vazio com o nome do presidente Lula (PT).
Além da decisão de Estela no TSE, o ministro Gilmar Mendes, do STF, autorizou a presença do candidato a presidente Renan Santos (Missão) no debate. Após as duas determinações judiciais, a emissora cancelou o debate.
A decisão de Flávio foi anunciada por ele em publicação no X. “Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes”, escreveu.
Flávio fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais no horário do debate. Cerca de 980 mil pessoas acompanhavam a live simultaneamente por volta das 23h10. O presidenciável chamou Lula de “fujão” e disse que a Justiça instaurou “oficialmente a censura nessas eleições”.
O candidato do PL também pediu a chance de indicar os próximos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e refez o apelo para que eleitores de outros candidatos da direita mudem de ideia e votem nele neste domingo (4).
“Lula fugiu do debate, covarde. Eu quero debater com você, Lula. Você não só não foi ao debate, você fugiu do debate, como você usou seus amigos no Judiciário para impor a censura a esse debate”, afirmou.
“Vamos votar de uma vez só, vamos dar um voto inteligente neste domingo. Com todo respeito aos outros concorrentes na disputa presidencial, somente Flávio Bolsonaro tem condições de vencer o Lula já no primeiro turno”, acrescentou Flávio em mais uma tentativa de atrair o chamado voto útil.
“(Houve) decisões a pouco minutos do debate instaurando oficialmente a censura nessas eleições, a proibição de mostrar o púlpito do candidato ausente e, pior do que isso, determinando que os candidatos presentes não pudessem fazer perguntas a Lula. A censura em seu mais alto grau, transparente e sem vergonha que vocês já viram nos últimos tempos.”
Em uma declaração à imprensa, Flávio afirmou que a “insegurança jurídica” chegou “ao ápice” com as decisões do TSE do e STF sobre o debate. Flávio também publicou um vídeo nas redes sociais dizendo haver censura e interferência do Judiciário nas eleições.
“Eu não vou compactuar com censura e interferência do Judiciário nas eleições. Mais do que nunca é necessário votar em Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Ninguém aguenta mais essa situação de sequestro que nossa democracia enfrentou”, disse.
Um integrante da campanha de Flávio afirmou à Folha que a estratégia dele para o debate se baseava em expor o presidente Lula, que estaria ausente, e explorar a imagem do espaço vazio no estúdio, reforçando que ele foi covarde.
Segundo ele, a decisão da ministra do TSE beneficia o atual presidente de forma indevida e prejudica o candidato do PL.
O coordenador político da campanha do PL, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse que a determinação mostra “parcialidade e preferência por um candidato”. Marinho afirmou que as regras foram mudadas “por conveniência e oportunismo político” e que, por isso, o único “remédio” seria o voto em Flávio no primeiro turno.
Lula comunicou à TV Globo na quarta (30) que não iria ao debate. O presidente concedeu entrevista ao Flow Podcast pouco antes do horário do programa —repetindo a estratégia usada no debate da TV Bandeirantes, quando faltou e deu entrevista exclusiva à Record.
Na decisão que determinou a retirada do púlpito destinado aos candidatos que faltarem, a ministra do TSE disse que a cláusula da Globo tinha “aparente intuito de compelir os candidatos a comparecer ao debate”.
“A referida cláusula possui, dada a magnitude das consequências negativas que prevê para o candidato que decide se ausentar, aparente intuito de compelir os candidatos a comparecer ao debate, renunciando à facultatividade de participação assegurada em lei”, disse Estela.
Flávio temia se tornar alvo dos demais candidatos —em especial de Renan—, sem a participação de Lula. Também havia dúvidas sobre o tom de Ronaldo Caiado (PSD), que tem relatado incômodo com a estratégia do candidato do PL sobre o chamado voto útil.
Apesar disso, a avaliação da campanha era a de que, sem Lula, ele poderia criar uma contraposição, deixando claro que um tinha coragem e fé e o outro, não. Além disso, o debate era visto como uma oportunidade para que Flávio convencesse o eleitorado que não o rejeita, mas declara voto em outros candidatos ou ainda está indeciso.
Aliados de Flávio afirmam que ele também havia se preparado para rebater esperados ataques de Renan. De acordo com pessoas próximas ao candidato do PL, ele estava ciente de que o enfrentamento poderia dar uma demonstração de força importante para alguém que quer ser presidente.
O candidato do PL havia treinado também respostas sobre a relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e sobre denúncias antigas, como as suspeitas de rachadinha no gabinete dele na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).
Além de Renan e de Caiado, eram esperados no debate da TV Globo Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). As regras definidas inicialmente pelo TSE desobrigavam as emissoras de convidar Zema porque o partido dele não elegeu cinco parlamentares em 2022.
Na terça-feira (29), porém, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, mudou o entendimento anterior e afirmou que o número mínimo de cinco parlamentares deveria considerar a bancada atual, não a eleita —garantindo a participação de Zema, cujo partido tem cinco deputados e um senador. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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