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Política Em live, Flávio Bolsonaro diz que deixou o Brasil para seguir “tendo uma voz ativa”

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou na sexta-feira que decidiu fugir do Brasil após conversar com a mulher. (Foto: Charles Vieira)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou na sexta-feira que decidiu fugir do Brasil após conversar com a mulher, Fernanda, e manteve o plano em sigilo para evitar que fosse frustrado. Em transmissão ao vivo no Instagram, relatou ter recebido um alerta do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a última visita entre os dois, na segunda-feira, quando foi intimado a entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Flávio também afirmou estar disposto a disputar novamente a Presidência da República, anunciou apoio a Rogério Marinho (PL-RN) para o comando do Senado e criticou negociações envolvendo a liberdade do pai.

Ao detalhar as circunstâncias de sua saída para os Estados Unidos, após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, o senador pediu que seus apoiadores não responsabilizassem integrantes da campanha pela fuga. A declaração também serviu como defesa de aliados que passaram a sofrer críticas, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), embora Flávio não o tenha citado nominalmente.

“A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse. Até porque, se soubesse, a chance de dar errado seria maior. Então, de verdade, não apontem o dedo para ninguém”, disse.

Flávio relatou que conversava com Jair Bolsonaro sobre o resultado da eleição quando, ao fim dos 30 minutos de visita, foi informado de que agentes da Polícia Federal o aguardavam para comunicar uma decisão de Moraes.

“Eu não sabia que seria a última vez que veria meu pai. (…) Quando veio dizer que o horário acabou, disse que tinha um pessoal da PF. Eu olhei para o meu pai e disse: ‘A perseguição começou’”, relatou.

Segundo o senador, o pai o acompanhou até o portão, onde recebeu a intimação para entregar seus passaportes. Bolsonaro teria então pedido que os delegados se afastassem para uma conversa reservada.

“Ele me olhou com os olhos cheios de lágrimas e falou: ‘Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?’. Eu falei: ‘Pai, já sei. Acho que Deus está no comando de tudo, tô preparado, vou enfrentar. Agora eu sei o que tenho que fazer’”, relatou.

Flávio afirmou que voltou para casa e conversou com Fernanda, que compreendeu sua decisão de deixar o Brasil. O senador não disse que o pai tivesse conhecimento prévio do plano.

O parlamentar justificou a fuga alegando que poderia ser alvo de novas medidas judiciais e usado como instrumento de pressão em negociações envolvendo o ex-presidente. Sem apresentar provas, acusou integrantes do Judiciário de perseguição política.

“Não tinha nenhuma dúvida de que eu seria usado como moeda de troca para algum interesse do sistema. Eu perdi para o sistema, não perdi para o adversário. (…) Eu posso ser tudo, menos burro. Eu soube fazer análise de cenário, entendi onde é que eles chegariam”, disse.

A decisão de Moraes ocorreu no âmbito de uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis vínculos financeiros entre Flávio e o advogado Willer Tomaz. Os investigadores apuram, entre outros pontos, o acesso atribuído ao senador, com perfil de administrador, a uma conta bancária da Alcazar Holding, empresa ligada ao advogado. Flávio nega relação comercial irregular. Ele também é investigado em procedimento sob relatoria do ministro André Mendonça, relacionado à busca de financiamento junto ao empresário Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades.

Flávio chegou a Miami na terça-feira, sem cumprir a ordem de entregar seus passaportes até as 11h daquele dia. A defesa informou à Justiça que não havia conseguido contato com ele. A fuga surpreendeu aliados, parte dos quais defendia que reconhecesse a derrota e permanecesse no Brasil para liderar a oposição.

“Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil. Eu sei que daqui eu vou continuar tendo uma voz ativa”, declarou. As informações são do jornal O Globo.

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