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Brasil Em mais um depoimento à Operação Lava-Jato, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral foi repreendido por mencionar a família do juiz

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Peemedebista questionou os processos dos quais é réu. (Foto: Reprodução)

Nessa segunda-feira, durante depoimento à 7ª Vara da Justiça Federal, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral fez críticas aos processos dos quais é réu e também ao juiz Marcelo Bretas, um dos responsáveis pelos processos na primeira instância da Operação Lava-Jato.

No primeiro encontro entre Cabral e Bretas após duas condenações (uma a 45 anos de prisão e outra a 13 anos), o peemedebista declarou que o juiz “está encontrando em mim uma possibilidade de gerar uma projeção pessoal e me fazendo um calvário”, além de tecer críticas ao magistrado ao longo do depoimento.

“Vossa Excelência já me condenou em duas ocasiões, uma em 45 anos e outra em 13 anos. Percebe-se, a partir dessas condenações, que vossa excelência não acredita em mim”, declarou Cabral. “Comprei joias para minha mulher em datas comemorativas”, continuou. A ação penal se refere a suposta lavagem de dinheiro por meio de compra de joias sem nota fiscal ou certificação nominal, revelada após a celebração de acordo de colaboração premiada por parte da joalheria.

Em interrogatório sobre ação penal referente a acusação de lavagem de dinheiro por meio de compra de joias, Cabral afirmou que a família do juiz Bretas teria entrosamento com o assunto porque “vendia bijuterias”. O magistrado repreendeu a defesa de Cabral, dizendo que se sentia ameaçado pela afirmação.

Após a discussão, Bretas autorizou a transferência de Cabral para um presídio federal, atendendo a pedido do MPF (Ministério Público Federal). O pedido foi feito porque Cabral mencionou informações pessoais a respeito de Bretas, sobre as quais ele supostamente não deveria ter tido acesso.

Não foi definida a unidade prisional para a qual o ex-governador será enviado. A defesa de Cabral afirma que a decisão é arbitrária e que irá recorrer. São quatro presídios federais existentes no país: Mossoró (RN), Campo Grande (MS), Catanduvas (PR) e Porto Velho (RO).

Bretas perguntou se Adriana Ancelmo teria usado joias mais baratas como parte do pagamento de joias mais caras. Cabral respondeu que tal prática é de “praxe” ao se comprar joias, e classificou a denúncia como um “teatro” do Ministério Público. “Eu leio os meus processos. Você olha e percebe que há um recorta-e-cola de um processo ao outro”, ironizou o ex-governador.

Caixa 2

Cabral disse ter comprado joias para a sua mulher, Adriana Ancelmo, com dinheiro proveniente de caixa 2 de campanha eleitoral. Ele negou que o dinheiro fosse fruto de propina ou de superfaturamento em contratos do governo estadual.

O ex-governador fluminense também admitiu que não houve emissão de nota fiscal porque as joias foram compradas sob parcelamento e com desconto, e que a condição dada pela H.Stern seria uma compra sem nota fiscal.

De acordo com o MPF, por cinco vezes, os acusados adquiriam joias e pedras preciosas –avaliadas no valor total de R$ 4,5 milhões– com propósito de ocultarem ou dissimular a origem de dinheiro derivado de crimes praticados pela organização criminosa.

A denúncia diz ainda que o dinheiro era oriundo de propinas pagas por empreiteiras entre os anos de 2007 e 2014, em contratos para obras do metrô, reforma do Maracanã, PAC das Favelas e do Arco Metropolitano.

Cabral negou, ainda, o superfaturamento de obras em seu governo, alegando que executivos das construtoras Carioca Engenharia e Andrade Gutierrez teriam negado esta afirmação em depoimentos na semana passada.

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