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Mundo Em meio a um escândalo racista, o primeiro-ministro do Canadá tenta mudar o foco da sua campanha à reeleição com promessa eleitoral

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Imagens antigas mostram o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, com o rosto pintado de marrom. (Foto: Reprodução)

Em meio a um escândalo envolvendo a divulgação de imagens antigas nas quais aparece com o rosto pintado de marrom, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, tenta mudar o foco da sua campanha à reeleição. Na sexta-feira (20), o premiê prometeu proibir a compra de fuzis de assalto de estilo militar por civis. A proposição foi feita em Toronto, cidade que enfrenta escalada na violência armada. As informações são do jornal Folha de S.Paulo e da agência de notícias Reuters.

“Pensamentos e orações não serão suficientes. Sabemos que você não precisa de uma arma de ataque militar, projetada para matar o maior número de pessoas no menor tempo possível, para derrubar um cervo”, afirmou Trudeau.

A medida incluiria um programa de compra, pelo Estado, de todos os fuzis adquiridos legalmente e de legislações negociadas junto a municípios para restringir ou proibir a obtenção de armas de fogo.

Toronto, a maior cidade do país, é celebrada por sua diversidade étnica, o que faz dela um reduto eleitoral para o Partido Liberal, do qual Trudeau é líder.

Durante o comício, nem todos os presentes se mostraram acolhedores. “Onde está o seu rosto preto, cara?”, gritou uma mulher para Trudeau – ao que o primeiro-ministro respondeu com um cumprimento de “bom dia”.

Uma imagem divulgada na quarta-feira (18) pela revista Times, na qual Trudeau aparece com o rosto inteiramente coberto por tinta marrom, estourou a crise e colocou em xeque sua imagem de defensor de minorias.

Trava-se de um retrato feito em 2001, quando o premiê, então um professor de 29 anos, compareceu a uma festa à fantasia com o tema “Noites da Arábia” na escola West Point Grey, em Vancouver.

A prática, chamada de “blackface” – ou “brownface”, como neste primeiro caso –, é racista. O termo surgiu para descrever atores brancos que encenavam papéis de negros no teatro, ambiente proibido para essas pessoas até meados do século 20.

Na quinta-feira (19), novos elementos acirraram a crise. Um vídeo, obtido pela emissora canadense Global News, exibe um jovem Trudeau com o rosto tingido de preto, camiseta branca estampada e calça jeans com os joelhos à mostra.

Seus braços, que se agitam no ar por alguns segundos, também aparentam ter sido pintados. Segundo a campanha do premiê, a filmagem foi registrada no início da década de 1990.

No mesmo dia, uma terceira imagem também veio à tona: dessa vez, Trudeau aparecia fazendo a “blackface” durante um show de talentos na escola, quando interpretou a música “Banana Boat Song (Day-O)”, famosa na voz de Harry Belafonte, um artista negro.

O caso levou o primeiro-ministro do Canadá a pedir desculpas publicamente duas vezes.

“Muitas pessoas são discriminadas por causa de sua cor de pele, história, origem, língua ou religião, e eu não vi isso por causa dos privilégios que tive. É por isso que sinto muito e peço desculpas”, disse em pronunciamento na quinta.

“A realidade é que machuquei pessoas que deveria defender e ajudar, e lamento profundamente”, afirmou.

Chrystia Freeland, ministra das Relações Exteriores do Canadá que representa Toronto no parlamento, disse em comunicado que estava “desapontada” com imagens do primeiro-ministro, mas que aceitou seu pedido de desculpas.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também comentou o caso nesta sexta. “Estou surpreso e fiquei mais surpreso quando vi o número de vezes”, disse.

As notícias acrescentam incerteza à carreira política do premiê, que iniciou sua campanha pela reeleição há uma semana.

Em março deste ano, Trudeau se viu envolvido em um esquema de corrupção que comprometeu sua imagem pública.

O caso gira em torno de acusações de que a empresa multinacional de engenharia SNC-Lavalin, baseada em Québec, teria pago 47,7 milhões de dólares canadenses (R$ 147,3 milhões) em propinas a autoridades da Líbia para ganhar contratos no país.

O primeiro-ministro e seus assessores foram acusados de pressionar a ministra da Justiça na época, Jody Wilson-Raybould, para suspender a investigação criminal contra a companhia porque uma condenação poderia custar milhares de empregos no Canadá e diminuir as chances políticas do Partido Liberal.

Ela não arquivou o inquérito, e em janeiro foi transferida para um cargo inferior no gabinete, o que na opinião de muitos foi uma punição. Depois, deixou o ministério.

O escândalo provocou a renúncia do principal assessor político de Trudeau e a abertura de uma investigação na Comissão de Ética do Parlamento sobre potenciais conflitos de interesses.

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