Sábado, 20 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 15 de junho de 2021
Ao se encontrarem na tarde desta quarta-feira (16) em Genebra, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos EUA, Joe Biden, farão sua primeira reunião presencial como chefes de Estado, justamente no pior momento das relações entre as duas maiores potências nucleares do planeta em décadas.
Com uma longa lista de discordâncias e até ofensas pessoais, representantes dos dois países avisam que nenhum acordo ou mesmo uma declaração conjunta mais abrangente deve sair da reunião – até as entrevistas coletivas serão realizadas separadamente. Mas Putin e Biden querem usar os poucos pontos em comum como primeiro passo para uma relação mais “previsível” e “estável”.
Antes do encontro, Biden não quis detalhar quais temas levará à mesa. Ao invés disso, declarou que mostrará a Putin “quais são as áreas nas quais poderão cooperar se ele escolher assim”, assim como demonstrar as “linhas vermelhas” em posições onde não há convergência.
Contudo, o assessor de Putin Yuri Ushakov adiantou alguns dos tópicos, citando a estabilidade estratégica – voltada para o controle de armas nucleares –, a exploração econômica do Ártico, a questão climática e o combate aos crimes cibernéticos. Biden deve pressionar Moscou para que atue de forma mais contundente contra quadrilhas russas acusadas de ataques recentes contra empresas e instituições nos EUA. São temas em que existe chance de cooperação, e que devem marcar a parte “pacífica” das conversas.
“Não devemos esperar grandes avanços”, afirmou Andrei Kortunov, chefe do Conselho de Relações Internacionais russo, ao jornal Moscow Times. “O principal aqui é estabilizar uma relação que atingiu um nível muito baixo.”
Biden e Putin sabem que o conceito de estabilização não significa ter laços amistosos – no máximo evitar surpresas diplomáticas, ou a chamada “previsibilidade”, mencionada por ambos nos últimos dias. Até porque os objetivos estratégicos são distintos.
O presidente americano, que há cerca de uma década afirmou ao russo acreditar que “ele não tinha alma”, quer retomar o papel de liderança dos EUA no mundo, incluindo em áreas próximas às fronteiras da Rússia. Antes da reunião em Genebra, ele participou de encontros com líderes de instituições que representam democracias liberais, como o G-7 e a Otan, a principal aliança militar do Ocidente e um dos temas de maior atrito entre Moscou e Washington.
O fortalecimento da aliança, que hoje inclui alguns países da antiga URSS e que pode eventualmente (mas dificilmente) incluir a Ucrânia, é apontado por Putin como um risco – ele destaca a presença de tropas americanas perto de suas fronteiras, como na região do Mar Báltico e, em especial, do Mar Negro, vista como área de influência russa. Biden, por sua vez, pressionará o líder russo sobre a Crimeia, anexada após um referendo não reconhecido internacionalmente em 2014, e o reforço militar perto da Ucrânia, incluindo no Leste do país, cenário de um conflito civil onde os EUA acusam a Rússia de participação direta.
Além das divergências nas políticas relacionadas a Síria, Líbia, Coreia do Norte e China, diplomatas também antecipam conversas quentes sobre a situação dos direitos humanos na Rússia, em especial a prisão do dissidente Alexei Navalny, e sobre as acusações de interferência nas eleições americanas. As respostas devem ser similares: Putin negará qualquer culpa, e apontará para uma campanha de “russofobia”, segundo ele, levada adiante pela imprensa nos EUA e setores do Partido Democrata, de Biden.
“O lado russo quer se mover em direção a uma relação hostil porém respeitosa”, declarou Vladimir Frolov, ex-diplomata e analista político, ao Moscow Times. “Eles querem as coisas como eram sob Leonid Brejnev [líder da URSS entre 1964 e 1982] nos anos 1970 e 1980. Ninguém agredia verbalmente, não havia sanções contra políticos e ninguém tentava derrubar a liderança soviética ao apoiar a oposição.” As informações são do jornal O Globo.
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