Domingo, 27 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de janeiro de 2019
No ano em que o debate sobre armamento voltou à tona, na esteira da campanha eleitoral de 2018, o número de novas armas registradas por pessoas físicas para defesa pessoal no Sinarm (Sistema Nacional de Armas) cresceu em 17 Estados brasileiros na comparação com 2014 – dados mais antigos disponíveis. No País, o crescimento é de 47% – de 24.645 para 36.238 –, conforme informações do jornal Folha de S.Paulo.
Decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), no dia 15 de janeiro deste ano, flexibilizou as regras para a posse de armas no Brasil. O sistema da Polícia Federal computa todas as armas compradas por civis com o objetivo de proteção, por profissionais de segurança privada e de órgãos públicos, como policiais civis e federais. Aquelas que serão usadas para outras atividades, como caça, tiro esportivo e por militares, devem ser registradas no Sigma (Sistema de Gerenciamento Militar de Armas), do Exército.
Dos 677.771 registros ativos de armas de fogo no País no Sinarm, 345.884 estão em nome de pessoas físicas. O Brasil tem hoje 165,8 armas para defesa pessoal nas mãos de pessoas físicas para cada 100 mil habitantes. Considerando também as registradas por outras categorias no Sinarm e as que pertencem àqueles que têm o registro CAC (para caçadores, atiradores e colecionadores), a taxa sobe para 464,5.
Na Inglaterra e nos Estados Unidos, por exemplo, as taxas de armas registradas são de 989 e 1.597,5 por 100 mil habitantes, respectivamente. No Canadá, 2.970,5.
No Brasil, o aumento mais expressivo, segundo dados do Sinarm, ocorreu no Espírito Santo, onde os novos registros saltaram de 197 em 2014 para 1.474 em 2018, um crescimento de 648,2%. No ano anterior ao pico, em fevereiro de 2017, o Estado viveu uma crise na segurança pública. Policiais militares realizaram greve por 21 dias e o Estado registrou crescimento no número de homicídios.
Em segundo lugar no ranking está Rondônia, cujos registros de novas armas para defesa cresceram 410,3% em quatro anos. O Estado tem a quarta maior taxa de armas para defesa pessoal nas mãos de pessoas físicas por 100 mil habitantes do País (447), ficando atrás do Acre, do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
Paraíba, Minas Gerais e Pará aparecem em seguida na lista do Sinarm, com crescimentos de 300%, 235% e 213,5%, respectivamente. Os dois últimos estão entre os cinco Estados com mais homicídios por arma de fogo do País, segundo o Atlas da Violência de 2018. Em São Paulo, houve alta de 51,6% nos novos registros no mesmo período. No Rio de Janeiro, o aumento foi 8%.
Alguns fatores podem explicar a corrida armamentista nesses lugares, segundo especialistas. O aumento da criminalidade e o medo da população são alguns deles, diz Daniel Cerqueira, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Em 2017, a taxa de mortes violentas intencionais no Brasil chegou a 30,8 para cada 100 mil habitantes, quando morreram dessa forma 63.880 pessoas, segundo levantamento do Fórum. Foi o maior índice da série histórica, iniciada em 2013.
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