Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de abril de 2019
Em evento privado em Boston, nos Estados Unidos, o vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), afirmou que o presidente Jair Bolsonaro está ciente de que é preciso deixar de lado discursos extremados e polarizados. Segundo três fontes presentes no encontro, Mourão defendeu que o governo não caia em tentativas de polarização pela oposição. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Mourão está nos EUA para participar da Brazil Conference, evento organizado pelos alunos da Universidade de Harvard e do MIT. Confrontado por presentes no encontro se não era o próprio presidente quem adotava uma retórica polarizada, Mourão disse que Bolsonaro foi aconselhado por seu entorno a deixar de governar para poucos e a tendência atual é de que isso aconteça.
Articulação com o Congresso
Em entrevista a jornalistas, Mourão afirmou que Bolsonaro adotou uma nova linha de atuação com o Congresso para tentar aprovar a reforma da Previdência e definiu o ‘apagão’ na articulação política como um processo de ensaio e erro. “Isso faz parte do jogo político, é um processo de ensaio e erro realmente. Ou a gente se rende àquela coalizão que era feita antigamente, e o presidente não quer fazer isso, ou tentamos novas formas e é dessa maneira”, disse.
Segundo Mourão, o presidente chegou à conclusão que a tentativa de negociar com as bancadas não funcionou e agora “partiu para uma outra linha de ação”. “Vamos tentar o diálogo com os diferentes partidos”, afirmou o vice-presidente. Ele minimizou os problemas e disse que isso é uma consequência pelo fato de o governo não ter base no Congresso logo após as eleições.
“O presidente não construiu base como a gente estava acostumado a ver nos governos anteriores. A nossa base era muito frágil. O PSL, como disse o Santos Cruz, era um partido das redes sociais. O meu partido PRTB é pequeno, não conseguiu eleger ninguém. Não tínhamos base”, afirmou.
Crise na Venezuela
Outro tema do encontro foi a crise na Venezuela. Mourão foi crítico à insistência dos Estados Unidos para entrada de ajuda humanitária no país vizinho. Os EUA e a comunidade internacional esperavam que a entrada de ajuda humanitária antecipasse o fim do regime de Nicolás Maduro, o que não aconteceu.
Os militares rechaçam a possibilidade de qualquer apoio brasileiro a uma eventual decisão dos EUA de intervenção militar na Venezuela. Mourão afirmou aos presentes que o papel do Brasil não é de pressão econômica – algo que, segundo ele, só cabe aos Estados Unidos fazer. Os EUA têm adotado sanções econômicas contra integrantes do governo de Maduro.
Para o vice-presidente, os países da América Latina demoraram demais a forçar pelas vias diplomáticas uma transição democrática na Venezuela. Ele reforçou que o Brasil seguirá na pressão diplomática.
Mourão foi acompanhado no almoço pelo ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Santos Cruz. Ao falar sobre a reforma da Previdência, Santos Cruz afirmou que a bola agora está com o Congresso, segundo as fontes presentes. O governo Bolsonaro vem sendo criticado por não fazer a articulação necessária para reunir os 308 votos suficientes para fazer sair do papel o projeto.
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