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Brasil Em sua última denúncia antes de ser executada, a vereadora Marielle Franco relatou ameaças de policiais do batalhão que mais mata no Rio de Janeiro

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Dados apontam 450 mortes em ações da unidade, localizada na Zona Norte da capital fluminense. (Foto: Reprodução)

Ameças, portões quebrados, casas invadidas sem mandado, moradores fotografados, troca de tiros. Essa tem sido a realidade de moradores que denunciam a ação truculenta de policiais do 41º Batalhão da PM (Polícia Militar), localizado no bairro do Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A bandeira contra ações violentas da polícia na área foi levantada pela vereadora Marielle Franco (PSOL), executada a tiros na noite da última quinta-feira, quatro dias depois de ajudar a denunciar os casos.

No sábado passado, divulgando relatos de líderes da favela de Acari, a parlamentar publicou nas redes sociais: “O que está acontecendo agora em Acari é um absurdo! O 41° BPM é conhecido como ‘Batalhão da Morte’. Chega de matarem os nossos jovens”. Pouco mais tarde, em outra postagem, ela mencionou as supostas mortes de dois jovens por integrantes do mesmo batalhão, fato não confirmado pela corporação.

Moradores da área acusam a unidade de agir com truculência. O total de autos de resistência – quando o policial mata supostamente em legítima defesa – passou de 51 para 117 no período de 2013 a 2016 (último dado disponível), ano em que o 41º Batalhão foi recordista no Estado de ocorrências desse tipo. No total, os dados do ISP (Instituto de Segurança Pública) indicam que nos últimos cinco anos, o 41º BPM registrou cerca de 450 mortes. Trata-se do maior índice de letalidade do Estado do Rio de Janeiro durante o período.

A unidade foi criada pelo então secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame dentro do espaço da Ceasa (Centrais de Abastecimento do Estado do Rio) carioca em 2011, e herdou o policiamento de parte da área do 9º BPM, ficando responsável pelos bairros de Irajá, Pavuna, Vicente de Carvalho e Costa Barros, onde estão os complexos de favelas da Pedreira e Chapadão. Longe do mar e dos cartões postais do Rio, a área é uma das mais violentas da cidade com forte presença do tráfico e tiroteios diários.

Conduta

Policiais militares que ali atuam também são acusados de envolvimento em outros incidentes. Um deles é a célebre chacina de Costa Barros, cometida há dois anos. Na ocasião, cinco adolescentes e jovens com idades entre 16 a 25 anos foram mortos dentro de um carro, atingido pelo número impressionante de 111 disparos.

Outro episódio violento que envolveu agentes da unidade do Irajá foi o homicídio de Maria Eduarda, 13 anos. A adolescente tombou baleada no pátio da escola onde estudava, em Acari, durante operação do 41º BPM.

De acordo com a moradora Buba Aguiar, integrante do coletivo Fala Akari, no último fim-de-semana diversos moradores foram ameaçados por PMs. “Em vez de contribuir para a segurança, com frequência as ações da Polícia Militar têm levado terror aos moradores”, contou a ativista. “Eles andavam pelas ruas gritando que só iriam embora depois que matassem três ou quatro.”

Ainda segundo Buba, as incursões dos policiais passaram a ser mais frequentes em Acari após o decreto de intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, assinado em fevereiro pelo presidente Michel Temer.

Denúncias

Sexta vereadora mais votada na eleição carioca de 2016, Marielle divulgava denúncias feitas pelas líderes comunitários de Acari que já haviam sido apresentadas ao Observatório da Intervenção. O colegiado, criado por iniciativa da Universidade Cândido Mendes, é formado por entidades civis da sociedade para acompanhar a ação federal. Marielle fazia parte da iniciativa.

Na última terça-feira, um dia antes de ser morta a tiros com o seu motorista em uma rua da cidade, Marielle voltou às redes sociais para denunciar, desta vez na comunidade do Jacarezinho, também na Zona Norte: “Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”, questionou.

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