Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

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Brasil Em uma carta ao juiz Sérgio Moro, Emílio Odebrecht disse que o filho Marcelo Odebrecht não sabia de sua autorização para a reforma no sítio atribuído a Lula em Atibaia

a-feira (13). (Foto: Reprodução)

Em declaração escrita ao juiz federal Sérgio Moro, o patriarca do grupo Odebrecht, Emílio Odebrecht, isentou seu filho Marcelo de responsabilidade nas obras do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). O empreiteiro afirma que competia a ele os “contatos diretos” com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que Marcelo tinha como interlocutores do petista para pedidos da construtora os ex-ministros Antônio Palocci e Guido Mantega.

Emílio afirma que Marcelo reportava a ele “os temas por ele tratados diretamente com Antônio Palocci e Guido Mantega que tinham relação ou envolviam Lula”.

“A relação pessoal com Lula sempre foi minha no âmbito da Odebrecht, e assim continuou a ser mesmo depois que Marcelo assumiu a presidência da holding. Antonio Palocci e Guido Mantega foram indicados por Lula, a mim, principalmente o primeiro, como seus interlocutores com Marcelo sobre arrecadação de campanha para o PT, conforme narrei em meus relatos”.

“Hoje sei que Marcelo tratava também com os mesmos interlocutores do PT sobre temas de interesse da Odebrecht junto ao governo federal e que alguns desses temas estão refletidos na chamada Planilha Italiano”, afirmou.

“Até onde pude averiguar e perceber, tal planilha visava o controle, como conta-corrente, a partir de um crédito global para pagamentos, no tempo, solicitados a pretexto de despesas de campanhas e, por outro lado, a planilha fazia uma alocação interna dos custos destes pagamentos. Apesar de, à época dos fatos, eu não conhecer a planilha em si, apenas sabia da existência de um valor global”, acrescentou.

Emílio ainda diz que os temas refletidos na Planilha, como “Medidas Provisórias do Refis da Crise e linhas de crédito de Angola” que tinham “alguma relação com Lula foram” por ele levados ao petista ‘para consolidar apoio a pleitos empresariais’ como, segundo o empreiteiro, “sempre prevaleceu na relação” dele com Lula.

“À exceção dos temas já mencionados, posso declarar que Marcelo não se envolveu em nenhuma tratativa direta ou indireta com Lula, cuja responsabilidade pela relação no Grupo Odebrecht era minha, como aliás já declarei em minha colaboração”, prosseguiu.

“Os assuntos respectivos a licitações e contratos de obras com a Petrobras não me foram reportados por Marcelo e, tendo em vista a nossa cultura de delegação, não deveriam fazer e não fizeram parte da agenda dele”, frisou.

Quanto à questão do sítio de Atibaia, Emílio declarou que Marcelo não se envolveu em tratativas com Lula em relação a esse assunto, nem direta e nem indiretamente: “O contato com Lula sobre esse assunto se deu diretamente comigo, conforme informado no meu relato e, aliás, como ocorria com os temas que envolviam Lula”.

O patriarca da Odebrecht afirmou, ainda, que as benfeitorias no Sítio de Atibaia foram realizadas por autorização dele sem qualquer participação de seu filho Marcelo:

“Conforme descrevo em meu relato, após receber, via Alexandrino de Alencar, o pedido a ele realizado pela Senhora Marisa Letícia, falecida esposa de Lula, eu autorizei e determinei a execução das referidas obras com os recursos humanos e financeiros da CNO em São Paulo e, para tanto, não consultei previamente qualquer outro executivo da Odebrecht, nem mesmo avisei Marcelo sobre o pedido”.

Delação

Em sua delação premiada, Emílio Odebrecht disse ter relatado a Lula em reunião no Palácio do Planalto, em 2010, que as obras no sítio ficariam prontas no mês seguinte. O encontro, segundo ele, ocorreu no fim do ano, próximo do fim do mandato do então presidente.

O patriarca relatou aos procuradores que, no encontro, o petista não teria ficado “surpreso” com a informação. “Eu disse: ‘Olhe, chefe, o senhor vai ter uma surpresa e vamos garantir o prazo que nós tínhamos dado no problema lá do sítio’.” Anotações e e-mails foram entregues pelo delator como forma de comprovar a reunião.

O caso envolvendo o sítio representa a terceira denúncia contra Lula no âmbito da Operação Lava-Jato. Segundo a acusação, as empreiteiras Odebrecht, OAS e Schahin gastaram R$ 1,02 milhão em obras de melhorias no sítio em troca de contratos com a Petrobras. A denúncia inclui ao todo 13 acusados, dentre eles executivos da empreiteira e aliados do ex-presidente, até seu compadre, o advogado Roberto Teixeira.

O imóvel foi comprado no final de 2010, quando Lula deixava a Presidência da República, e está registrado em nome de dois sócios dos filhos do ex-presidente, Fernando Bittar – filho do amigo e ex-prefeito petista de Campinas Jacó Bittar – e Jonas Suassuna. A Lava-Jato sustenta que o sítio é de Lula, que nega o fato.

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