Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 12 de janeiro de 2018
Peter Hoekstra, o recém-nomeado embaixador dos EUA na Holanda, deu sua primeira entrevista coletiva à imprensa holandesa em sua nova residência em Haia na quarta-feira (10).
Não foi um sucesso.
Antes de ser embaixador de Trump, Hoekstra foi deputado republicano pelo Estado de Michigan por 18 anos. Jornalistas holandeses o submeteram a uma saraivada de perguntas sobre alegações não confirmadas que ele fez em 2015 sobre o caos que “o movimento islâmico” teria semeado na Holanda.
“Carros são incendiados. Ateiam fogo em políticos”, disse Hoekstra em uma conferência promovida por uma organização conservadora. “E há zonas na Holanda onde o acesso não é permitido.”
Seus comentários foram descritos por muitos como falsos. Eles refletem certas conspirações relativas à sharia (lei islâmica) que pipocam em alguns círculos da extrema direita no Ocidente. Pressionado por repórteres holandeses, Hoekstra se negou a retirar suas declarações ou a dar exemplos específicos para fundamentar o que disse.
Na realidade, após dizer que vai “voltar à questão” futuramente, ele simplesmente se negou a responder.
Mas os jornalistas ainda não tinham esgotado essa linha de perguntas. Em vez de passar para outro assunto, outro jornalista simplesmente fez a mesma pergunta em outras palavras.
“Todo o mundo ali presente tinha uma pergunta: ‘Você vai retirar aquela afirmação maluca que fez?'”, disse em entrevista telefônica sobre a coletiva o repórter político Roel Geeraedts, da emissora de TV holandesa RTL Nieuws. “Não estávamos recebendo respostas, então continuamos a fazer a pergunta.”
Geeraedts publicou nas redes sociais um segmento de vídeo mostrando a notável troca de palavras com o embaixador.
Depois de pelo menos uma pessoa ter feito a pergunta, Geeraedts perguntou a Hoekstra sobre uma frase de John Adams (que foi o primeiro embaixador dos EUA à Holanda) reproduzida em um quadro logo atrás do embaixador. Hoekstra disse que tinha lido a frase, que expressa a esperança de Adams de que “apenas homens honestos e sábios reinem sob este teto”.
“Se você é realmente um homem honesto e sábio, pode retirar sua afirmação sobre políticos queimados ou citar o nome do político que foi queimado na Holanda?”, perguntou Geeraedts.
Seguiu-se um silêncio incômodo.
“Obrigado”, disse Hoekstra e então tentou chamar outro jornalista, falando alto para se fazer ouvir por cima do vozerio de repórteres no recinto.
“Com licença, eu lhe fiz uma pergunta”, disse Geeraedts.
Outro jornalista interveio.
“Senhor embaixador, o senhor pode citar algum exemplo de um político holandês que tenha sido queimado nos últimos anos?”
Novamente silêncio, enquanto Hoekstra percorria o recinto com os olhos.
“Isto daqui é a Holanda. O senhor tem que responder perguntas”, disse outro repórter.
Sherry Keneson-Hall, conselheira da embaixada que estava ajudando a coordenar a coletiva de imprensa, reagiu, dizendo que Hoekstra estava respondendo.
Pelo menos mais um jornalista fez a mesma pergunta. Jornalistas já a haviam feito pelo menos cinco vezes.
“Ficamos todos espantados porque ele não quis retirar sua declaração. Era simplesmente falsa, então por que não retirá-la?”, Geeraedts. “Foi uma situação incômoda, para falar a verdade.”
Geeraedts disse que o fato de os jornalistas não terem passado por cima da pergunta não respondida pelo embaixador foi uma reação espontânea e que já viu uma tática semelhante ser empregada em escala menor quando políticos holandeses dão respostas evasivas a perguntas diretas. Mas ele disse que a política na Holanda difere um pouco da situação atual nos Estados Unidos.
“Na Holanda, se você faz perguntas diretas, não recebe respostas diretas”, ele explicou. “Mas também não recebe respostas falsas.”
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