Segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 16 de novembro de 2017
A empresa Mattel anunciou nesta semana o lançamento da primeira boneca Barbie vestida com o hijab, um dos tipos de véu islâmico. O modelo é uma representação fiel da esgrimista de origem muçulmana Ibtihaj Muhammad, 31 anos, medalhista de Bronze na Olimpíada de 2016 (disputada no Brasil) e primeira norte-americana a usar essa peça de vestimenta na maior competição internacional.
Em breve, a Barbie de hijab será vendida nos Estados Unidos, por meio do site www.barbie.com e também pela rede de vendas on-line Amazon. Segundo a fabricante norte-americana, ainda não há previsão sobre a chegada do brinquedo ao mercado brasileiro.
Em seu perfil no Twitter, Ibtihaj Muhammad comemorou a novidade e contou que uma versão da Barbie com o hijab era um sonho de infância para ela. “Eu tenho orgulho de saber que as meninas, em todos os lugares do planeta, agora já podem brincar com uma Barbie que opte pelo uso do hijab! Este é um sonho de infância tornado realidade”, postou a especialista no uso do sabre.
Em nota, o vice-presidente de marketing global da Mattel, Sejal Shah Miller, ressaltou que o lançamento da boneca tem como foco a busca por maior representatividade de grupos específicos, além de contribuir para incentivar a tolerância étnica e religiosa: “Ibtihaj é uma inspiração para inúmeras meninas que nunca se viram representadas. Honrando a sua história, esperamos que essa boneca lhes diga que elas podem ser e fazer qualquer coisa”.
Mudanças
A Barbie de vestimenta islâmica está inserida em uma das ações da Mattel voltadas para esse conceito mais pluralista. No ano passado, a marca anunciou a expansão da sua linha “Fashionistas”, com a inclusão de três novos tipos de corpo – baixa, alta e curvilínea – além de uma variedade de tons de pele, estilos de cabelo e roupas.
Em 2015, a Mattel já havia lançado uma campanha da Barbie estrelada por um grupo de crianças que incluía um menino. A propaganda foi feita para divulgar a boneca desenvolvida em parceria com a grife italiana Moschino.
O hijab
Vestimenta preconizada pela doutrina islâmica, o hijab é utilizado pela maioria das mulheres que vivem em países dominados por essa orientação religiosa. Atualmente, o seu uso é obrigatório em países como a Arábia Saudita e o Irã. O seu uso também é frequente entre o público feminino de comunidades muçulmanas de imigrantes, como ocorre na França ou, em menor escala, em cidades brasileiras.
Além da tradição, a utilização do hijab no Ocidente tem dado muito pano para manga (literalmente) em termos de polêmica. A psicóloga norte-americana Valerie Tarico, por exemplo, afirma que essa vestimenta não é um símbolo de liberdade, mas do fato de que as mulheres ligadas ao Islã são consideradas cidadãs de segunda classe e que “esse status é codificado em textos religiosos, reforçados por culturas e leis locais.
O escritor iraquiano Faisal Saeed Al Mutar, radicado nos Estados Unidos, muitas das mulheres que utilizam o Hijab, inclusive nos países ocidentais, são forçadas a usá-lo devido a pressões familiares e sociais. “Eu, pessoalmente, conheço casos em que mulheres foram espancadas ou rejeitadas por suas famílias por se recusarem a usar essa vestimenta”, relata.
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