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Economia Empresário confessa fraudes em descontos do INSS e assina acordo de delação premiada com a Polícia Federal

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A expectativa do empresário é conseguir obter o direito à prisão domiciliar após a homologação do acordo. (Foto: Reprodução)

Preso desde setembro do ano passado sob suspeita de ser um dos líderes do esquema de desvios de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o empresário Maurício Camisotti confessou a existência de fraudes nos descontos das aposentadorias e assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal.

É a primeira delação assinada na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de desvios nas aposentadorias com prejuízos bilionários aos pensionistas. A PF já colheu os depoimentos da delação do empresário e enviou o acordo ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que está analisando os termos do documento para dar validade jurídica à delação.

A expectativa do empresário é conseguir obter o direito à prisão domiciliar após a homologação do acordo.

Camisotti comandava associações de aposentados que firmaram acordos com o INSS para realizar descontos diretamente nas folhas de pagamento. Na delação, ele explicou a sistemática das fraudes envolvendo a inclusão de nomes de aposentados e os descontos indevidos de aposentadorias.

Outros alvos

Além da delação de Camisotti, outros acordos de colaboração estão sob negociação com a Polícia Federal. Um deles é do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, preso em novembro sob suspeita de receber propina dos operadores do esquema.

A mulher dele, a médica Thaísa Hoffmann, também havia sido presa, mas foi solta por André Mendonça por questões humanitárias por ter um filho de apenas um ano de idade. Esse cenário, entretanto, pressionou Virgílio no caminho de um acordo de delação.

O ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidélis também já procurou os investigadores para conversar sobre um acordo de delação, mas as tratativas ainda estão em estágio inicial. Fidélis está preso desde novembro e seu filho, o advogado Eric Fidélis, foi preso no mês seguinte.

De acordo com fontes com conhecimento do caso, Camisotti também relatou suspeitas de crimes envolvendo a atuação de dirigentes do INSS e de políticos. O teor dos depoimentos está mantido sob sigilo e deve ser usado para abrir novas fases da Operação Sem Desconto.

O nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não deve aparecer na delação de Camisotti. O relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), chegou a propor o indiciamento de Fábio Luís por conta de seu envolvimento com outro empresário: Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS.

A defesa de Lulinha chegou a admitir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele teve uma viagem a Portugal bancada pelo empresário Antônio Camilo. Ele negou, porém, ter firmado qualquer negócio ou recebido valores do empresário. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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