Domingo, 09 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 19 de março de 2021
Sem ainda ter conseguido liberação para distribuir a vacina russa Sputnik V no Brasil, o dono do laboratório União Química, Fernando Marques, gravou um áudio enfurecido em que acusa a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de interesses políticos para barrar o produto. A mensagem, de pouco mais de 2 minutos, foi enviada originalmente ao empresário bolsonarista Luciano Hang, dono das lojas Havan, mas segundo o Estadão, ela chegou ao presidente Jair Bolsonaro.
Marques afirma que a demora da Anvisa em dar aval tem como objetivo favorecer o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, que produz a CoronaVac, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), fabricante da vacina AstraZeneca/Oxford. A intenção, diz o empresário, é beneficiar o governador João Doria, no caso do Butantan, e o PT e o PCdoB, que têm a Fiocruz “na mão”.
“Eles querem manter a coisa com a Fiocruz e com o Butantan. Butantan na mão do Doria e Fiocruz na mão do PT, PCdoB. E, p…, não tem vacina, o povo tá morrendo”, afirma Marques no áudio. A União Química confirmou a autenticidade do áudio. Disse que a fala foi feita em um momento de “desespero” do empresário.
‘Humilhado’
O empresário reclama ainda de ter sido “humilhado” em reunião com o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, na semana passada. O atual chefe da agência é contraalmirante da reserva da Marinha e foi indicado ao cargo por Bolsonaro.
“É uma loucura. Eu estive com o Barra na semana passada. Ele só faltou me mandar acompanhar até o carro. Fui humilhado. Parece que é um criminoso alguém que quer trazer a vacina ao Brasil, que está sendo usada pelos russos e em mais de 40 países”, diz.
A União Química pretende distribuir a vacina russa no Brasil, mas, segundo a Anvisa, ainda não entregou os dados necessários. Técnicos da agência e da farmacêutica tiveram reunião na última quarta-feira (17), e devem voltar a se encontrar na próxima segunda-feira (22). Há expectativa de que seja feito um pedido de uso emergencial da vacina.
O laboratório de Marques tem uma poderosa equipe de lobby, formada pelo próprio dono da empresa, o ex-deputado federal Rogério Rosso (PSD) e o ex-diretor da Anvisa Fernando Mendes.
‘Não vão fazer lobby’
Ao falar com seus apoiadores no Palácio da Alvorada, na quinta (18), Bolsonaro disse que recebeu reclamações de um laboratório “conhecido” sobre a Anvisa, mas não citou o nome nem fez qualquer menção ao áudio. “Outra empresa, grande, conhecida. Tem 20 milhões de doses para vender e não consegue. Daí um cara falou comigo. Falei: ‘Não posso interferir. Não vou interferir na Anvisa’”.
O presidente disse que ligou para um “colega” da agência e questionou sobre o caso. “Essa vacina aí, entraram com papel? ‘Nenhum papel. Presidente, não recebemos nada’”. O presidente comentou ainda: “Por que querem vender para nós, sem certificação, sem nada? Isso é lobby? Comigo não vão fazer lobby”, disse ele.
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