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Brasil Empresários disseram ter feito contratos fictícios para receber caixa 2 para a campanha do atual presidente do Senado ao governo do Ceará

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O presidente do Senado, Eunício Oliveira. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

Empresários ouvidos pela PF (Polícia Federal) confessaram ter feito contratos fictícios para receber dinheiro irregular para a campanha ao governo do Ceará do atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE). Eles prestaram depoimento à PF na Operação Tira-Teima. A operação, deflagrada na terça-feira (10), investiga pagamentos de vantagens indevidas por um grupo empresarial a políticos.

Os depoimentos foram prestados em investigação sobre Eunício no STF (Supremo Tribunal Federal). O inquérito foi aberto a partir da delação de Nelson Melo, ex-diretor de relações institucionais da Hypemarcas, hoje Hypera Pharma. Ele é um dos delatores da Operação Lava-Jato.

O site da revista Veja traz vídeo do depoimento da empresária Maurenízia Alves, sócia do Instituto Campus. Ela admitiu contratos feitos com ao menos quatro empresas e que o objetivo era receber por serviços na campanha de Eunício ao governo do Ceará. O pedido foi feito a ela por Paulo Alves, marido da empresária, que trabalhou na campanha.

Em depoimento, Maurenízia disse que a empresa dela foi contratada pela Hypermarcas, pela M. Dias Branco, pela Corpus Segurança e pela JBS – e que não houve nenhuma prestação de serviço. Apesar disso, ela diz ter havido recebimento de dinheiro e emissão de notas, mas os contratos não foram formalizados.

A M. Dias Branco foi um dos alvos da Operação Tira-Teima. Executivos da JBS e da Hypermarcas já haviam confirmado essas informações na delação e apresentado os contratos fictícios. Ao depor, Paulo Alves disse que a coordenação de campanha de Eunício afirmou que essa era a única forma de resolver “os problemas de atrasos” de pagamentos. E que houve ainda outros contratos fictícios.

O que dizem os citados

A assessoria do senador Eunício Oliveira disse que as contas da campanha dele em 2014 foram aprovadas pela Justiça Eleitoral e que todas as empresas citadas fizeram doações dentro da lei vigente à época. A M. Dias Branco declarou que não realizou qualquer pagamento ao Instituto Campus ou ao Campus Centro de Estudos e Pesquisas.

A Hypera Pharma informou que está colaborando com as investigações e que uma auditoria interna concluiu que o ex-diretor Nelson de Mello autorizou, por iniciativa própria, despesas sem comprovação – e que a empresa não se beneficiou desses atos. A J&F disse que os delatores ligados ao grupo já relataram aos investigadores tudo que era de conhecimento deles, e que seguem à disposição da Justiça para colaborar.

Livro

O presidente do Senado prestigiou, na noite de quarta-feira (11), o lançamento da segunda edição revista e ampliada do livro “Pressupostos Materiais e Formais da Intervenção Federal no Brasil”, escrito pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski.

A obra teve origem na tese de livre-docência defendida, nos anos de 1990, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. O lançamento ocorreu no STF, em Brasília.

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