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Economia Empresários gaúchos pedem fôlego: Fecomércio-RS cobra revisão de regras do BNDES

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Luiz Carlos Bohn da Fecomércio-RS destaca a necessidade de ampliação do prazo de carência para início do pagamento dos financiamentos do BNDES.

Foto: O Sul
Luiz Carlos Bohn da Fecomércio-RS destaca a necessidade de ampliação do prazo de carência para início do pagamento dos financiamentos do BNDES. (Foto: O Sul)

A devastação provocada pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 deixou marcas profundas não apenas na paisagem urbana e rural, mas também no tecido econômico do Estado. Meses após o desastre, milhares de empresas ainda lutam para se reerguer em meio a escombros, estoques perdidos e um mercado de trabalho desestruturado. Diante desse cenário, a Fecomércio-RS – entidade que representa o setor de comércio de bens, serviços e turismo – encaminhou ao Ministério da Fazenda um pedido formal de flexibilização das regras das linhas emergenciais de crédito do BNDES, criadas para socorrer os negócios atingidos.

O ofício, enviado em 23 de setembro, alerta para o risco de colapso de parte do setor produtivo caso não haja ajustes nas exigências contratuais. Segundo a Federação, muitas empresas ainda não conseguiram retomar sua capacidade operacional plena, enfrentando obstáculos como a reconstrução de instalações, a recomposição de estoques e a dificuldade de recontratar mão de obra qualificada – especialmente em regiões onde houve êxodo populacional.

Carência estendida: uma questão de sobrevivência

Entre as medidas solicitadas, a Fecomércio-RS destaca a ampliação do prazo de carência para início do pagamento dos financiamentos. A proposta é que esse período seja estendido em pelo menos 12 meses, oferecendo às empresas tempo adicional para reorganizar suas operações antes de assumir o compromisso da amortização. “Não se trata de inadimplência, mas de viabilidade. O tempo é um insumo essencial para quem precisa reconstruir do zero”, afirma Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e do Instituto Fecomércio de Pesquisas (IFEP).

A entidade argumenta que, sem essa folga financeira, os recursos obtidos via BNDES acabam sendo consumidos em obrigações imediatas, em vez de serem investidos na reestruturação dos negócios. O resultado, segundo Bohn, é um ciclo de endividamento precoce que compromete a recuperação econômica regional.

Emprego em xeque: flexibilizar para preservar

Outro ponto sensível diz respeito à exigência de manutenção ou ampliação do número de empregados, conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Atualmente, o não cumprimento dessa meta implica a substituição retroativa da taxa de juros contratada pela Taxa Selic – penalidade que, na visão da Fecomércio-RS, ignora a realidade pós-calamidade.

A proposta da entidade é permitir uma tolerância de até 20% na redução do quadro de funcionários em relação ao período anterior às enchentes. Essa margem, segundo o ofício, seria suficiente para acomodar as flutuações naturais do mercado de trabalho em momentos de crise, sem punir empresas que estão tentando se manter de pé. “Preservar empregos é fundamental, mas exigir estabilidade num cenário de instabilidade é contraproducente”, pontua Bohn.

Reconstrução com diálogo

A Fecomércio-RS reforça que não busca o relaxamento das regras por conveniência, mas sim por necessidade. A entidade se coloca à disposição para colaborar com o governo federal na construção de soluções que conciliem responsabilidade fiscal com sensibilidade social. “O que está em jogo não é apenas a saúde financeira das empresas, mas a capacidade do Estado de se recuperar economicamente e socialmente”, conclui o presidente.

O pedido da Fecomércio-RS chega em um momento em que o país discute a eficácia das políticas públicas de resposta a desastres naturais. A experiência gaúcha pode servir de alerta para a necessidade de modelos mais flexíveis e adaptáveis, capazes de responder à complexidade das crises climáticas que, infelizmente, tendem a se tornar mais frequentes. (Gisele Flores)

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