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Carlos Roberto Schwartsmann Enamed, era previsível!!

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(Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O Brasil foi descoberto em 1500.

A 1ª faculdade de medicina foi fundada em 1808 em Salvador, na Bahia.

Até o ano de 2000 existiam 108 escolas médicas.

A partir de então o número cresceu desenfreadamente até alcançar no dia de hoje o número absurdo aproximado de 500. O número exato ninguém sabe. Nem mesmo o MEC! Os EUA possuem 184 escolas médicas. O Brasil só tem menos faculdades que a Índia que tem uma população de 1,4 bilhão de habitantes. Lá existem cerca de 600 faculdades de medicina. Provavelmente somos campeões mundiais em número de médicos.

Em 25 anos o Brasil virou uma fábrica de faculdades. O programa “Mais Médicos” queria mais profissionais, independente da qualidade

Recentemente, para avaliação dos novos cursos, foi criado o ENAMED (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica).

O resultado do exame foi constrangedor e vergonhoso. A AMB emitiu nota em 20 de janeiro de 2026: “extrema preocupação com a realidade gravíssima na formação médica do país.”

Foram avaliados 351 cursos de medicina. Noventa e nove obtiveram conceito 1 e 2. Isto é, completamente insatisfatórios.

Entre os 39.258 estudantes avaliados, 13 mil não atingiram o nível mínimo esperado para o exercício da medicina. O exame é composto apenas de uma prova objetiva com questões de múltipla escolha.

No exame não existem provas praticas, que são fundamentais na avaliação do novo profissional. O ENAMED é um exame exclusivamente teórico.

Não avalia se o estudante sabe medir a pressão arterial ou verificar os pulsos periféricos! Se sabe avaliar reflexos! Se está capacitado a puncionar uma veia! Drenar um abcesso ou hematoma! Aplicar uma injeção! Fazer uma sutura de um ferimento! Passar uma sonda vesical!

É alarmante também que 90% das novas faculdades são privadas e os lucros destas instituições são bilionários.

É preciso entender que a fundação de uma escola médica é um processo complexo. Além das instalações físicas adequadas é necessário um corpo docente médico qualificado! São necessários cadáveres, microscópios e laboratórios! No mínimo, é necessário um hospital-escola!!

Uma faculdade de medicina não nasce por decreto, nem por desejos políticos, nem por ambições meramente financeiras!

Esta deformação cruel e alarmante da saúde pública brasileira só se concretizou por ideia de governantes incompetentes, insensatos e descomprometidos com as metas do bem social.

Uma enxurrada de médicos não é condição para fixá-los nos mais distantes rincões do país.

Além de condições básicas para o exercício profissional é necessário promover um plano de carreira como ocorre no judiciário.

Tudo isto que está acontecendo, era previsível!! Pobre medicina! Pobre saúde!

Por Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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