Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de abril de 2016
Sete em cada dez operações de crédito feitas no País em 2015 foram usadas para financiar o governo e as estatais. O poder público absorveu 72% das operações de dívida – empréstimos a pessoas físicas, empresas e o lançamento de títulos públicos e privados no mercado –, segundo o economista Carlos Rocca, do Centro de Estudos do Instituto Ibmec.
Isso representa 597 bilhões de reais, de um total de 829 bilhões de reais que girou neste mercado apenas no ano passado. Foi o maior percentual de apropriação estatal do fluxo de dívidas da economia brasileira em dez anos. O estudo de Rocca mostra dados desde 2005.
O economista atribui esse desequilíbrio ao elevado deficit no orçamento, estimado em 10% do PIB (Produto Interno Bruto). Endividado, o governo sugou recursos que deveriam irrigar o setor produtivo. “Quando o setor público disputa com o privado essa poupança, oferece juro mais alto em seus títulos, o que mata a demanda por crédito das empresas, que não conseguem acompanhar o aumento do custo do financiamento”, explicou.
Em resumo: o Estado, endividado, tem de cobrar juros altos para se financiar. Para o setor privado competir por esse dinheiro, oferece taxas ainda mais elevadas ao lançar um título, por exemplo, o que acaba sendo proibitivo.
Do total de dívidas em circulação no País (7,6 trilhões de reais), metade está com União, Estados, municípios e estatais. (Folhapress)
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