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Economia Endividamento das famílias atinge recorde histórico no Brasil e volta a elevar a inadimplência

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(Foto: Reprodução)

Fevereiro registrou um novo recorde no Brasil. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), 80,2% das famílias do País possuem alguma pendência financeira. Esse é o maior nível de toda a série histórica do levantamento feito mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) desde 2010. O índice representa um avanço de 0,7 ponto percentual (p.p.) em relação a janeiro e supera em 3,8 p.p. o resultado de fevereiro de 2025. Os números foram divulgados nessa quarta-feira (11).

O novo recorde vem acompanhado de uma retomada da inadimplência que interrompeu três meses de queda e subiu para 29,6%. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário é reflexo direto da política monetária restritiva.

“O endividamento das famílias brasileiras atingiu um patamar crítico e inédito, asfixiado pela manutenção da taxa Selic em níveis elevados desde 2025”, afirma o presidente Tadros. “Embora o crédito seja um motor essencial para o consumo, o custo do dinheiro permanece proibitivo, criando um ciclo perigoso em que o aumento das dívidas é potencializado por juros altos que dificultam a amortização. Sem alívio consistente nos juros, a capacidade das famílias de limpar seus cadastros fica seriamente comprometida, o que acaba por frear o dinamismo do nosso comércio e serviços.”

Ciclo de inadimplência

A pesquisa revela que a dificuldade de honrar compromissos financeiros está se tornando mais persistente. O tempo médio de atraso dos pagamentos subiu para 65,1 meses, o nível mais alto registrado desde o fim de 2024. Além disso, a fatia de consumidores inadimplentes por mais de 90 dias avançou para 49,5%, evidenciando que os atrasos estão cada vez mais longos.

“O aumento do endividamento preocupa, não costumamos ver este nível, mas o crescimento da inadimplência preocupa ainda mais porque é mais um sintoma do estrago que este longo período de aperto monetário com a alta Selic provoca no orçamento das famílias brasileiras”, analisa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

O percentual de famílias que declaram não ter condições de pagar suas dívidas em atraso no próximo mês ficou em 12,6%, valor superior ao registrado no mesmo período do ano passado (12,3%).

Desigualdade por faixa de renda

O avanço do endividamento em fevereiro foi impulsionado majoritariamente pelas famílias de maior renda (acima de 5 salários mínimos) que utilizam o crédito como estratégia para manter o padrão de consumo sem desmobilizar capital próprio. Entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o endividamento saltou de 65,5% em 2025 para 69,3% em 2026.

Por outro lado, a inadimplência castiga as famílias mais pobres. No grupo com renda de até 3 salários mínimos, o percentual de contas em atraso manteve-se elevado em 38,9%, e quase uma em cada cinco dessas famílias (18,6%) afirma não ter condições de quitar suas dívidas pendentes.

Principais modalidades de dívida

O cartão de crédito segue sendo citado pela maioria (85,0%) das famílias endividadas. Outras modalidades de destaque incluem:

– Carnês de loja: 16,0%;

– Crédito pessoal: 12,3%;

– Financiamento de casa: 9,8%;

– Financiamento de carro: 8,9%.

Sobre a Peic: A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) é apurada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais e no Distrito Federal, com 18 mil consumidores, permitindo traçar um perfil detalhado da capacidade de consumo e do nível de comprometimento da renda dos brasileiros.

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