Quarta-feira, 09 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 8 de setembro de 2026
Juristas afirmam que essa é a crise mais grave da história do Supremo
Foto: DivulgaçãoA crise no STF (Supremo Tribunal Federal) se intensificou, no dia 1º deste mês, após o ministro André Mendonça quebrar o sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) que mostra trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
A tensão institucional ainda atinge o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que são suspeitos de trabalhar para conter o avanço das investigações sobre o banco.
Na última quinta-feira (3), Moraes, por meio do inquérito das fake news, acusou Mendonça de praticar improbidade administrativa e abuso de autoridade durante a relatoria do caso Master. Na decisão, o ministro ainda pediu ao presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, a abertura de ação contra o colega de magistratura por ter atuado fora do regimento jurídico.
Fachin, por sua vez, declarou que a resposta institucional à crise na Corte será “firme, proporcional e rigorosa”. Segundo ele, as apurações seguirão os procedimentos previstos na Constituição e na legislação. O presidente do STF disse que nenhuma autoridade está acima da Constituição e que nenhum “interesse” pode se sobrepor à defesa do Estado Democrático de Direito. O ministro também afirmou que a gravidade dos fatos não justifica medidas fora das regras jurídicas.
“Não haverá precipitação, mas, tampouco, omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, disse Fachin. Ainda na quinta-feira, o presidente do STF deu um prazo de cinco dias para manifestação de Moraes, Mendonça, Andrei Rodrigues e Gonet sobre a crise envolvendo o caso Master.
A partir dessas manifestações, Fachin deve reunir as explicações dos envolvidos e analisar a regularidade das apurações para, então, definir os próximos passos, podendo levar a questão ao plenário do Supremo.
Em meio à crise, o presidente ainda defendeu a adoção de um código de ética dentro do Supremo, além do fim do inquérito das fake news.
O que mostra o relatório da PF
O documento foi formulado a partir de dados obtidos no celular de Vorcaro, apreendido pela PF na Operação Compliance Zero, e revela uma suposta proximidade entre o ministro e o banqueiro.
De acordo com o relatório, em conversas com Moraes às vésperas da sua prisão, Vorcaro chegou a perguntar ao ministro sobre sair do País e expressou “gratidão” ao magistrado. “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”, disse o dono do Master.
A investigação da PF ainda mapeou uma série de encontros que ocorreram entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025.
Gonet também apareceu nas mensagens do relatório em conversa com Vorcaro, intermediada pelo advogado Ciro Soares. As conversas aconteceram entre abril de 2024 e junho de 2025 e mencionavam viagens, uísque, charutos e até o envio de fotos de Gonet ao lado de Ciro Soares.
Quanto a Andrei Rodrigues, o diretor-geral da PF é citado na conversa entre Vorcaro e Moraes, na qual o ex-banqueiro questiona o ministro sobre a possibilidade de reverter as investigações contra o Master pelo intermédio de Andrei.
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O golpe taí, só não vê quem não quer