Quarta-feira, 27 de maio de 2026

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Mundo Entenda a escalada de tensão entre os Estados Unidos e o Irã

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Ao retomar as sanções econômicas contra Teerã, os EUA impuseram ao país persa um prejuízo de US$ 200 bilhões em exportações e investimentos perdidos, disse o presidente iraniano, Hassan Rouhani. (Foto: Reprodução/Twitter)

O assassinato pelos Estados Unidos do general iraniano Qassem Soleimani, quando chegava na madrugada desta sexta-feira (3) ao aeroporto de Bagdá, marca um ponto de virada na tensão que vem crescendo entre Washington e Teerã desde maio de 2018, quando o presidente americano Donald Trump se retirou unilateralmente do acordo nuclear assinado entre o Irã e as principais potências globais em 2015. As informações são do jornal O Globo.

Ao retomar as sanções econômicas contra Teerã, os EUA impuseram ao país persa um prejuízo de US$ 200 bilhões em exportações e investimentos perdidos, segundo disse nesta semana o presidente iraniano, Hassan Rouhani. O acordo, pelo qual o Irã se comprometia a não produzir armas nucleares, tinha como principal efeito normalizar as relações internacionais da República Islâmica, que viveu anos de isolamento imposto pelo Ocidente após a revolução de 1979, que derrubou o xá Rehza Pahlevi e instituiu um regime sui generis, teocrático e republicano.

Até agora, a tensão vinha aparecendo em um conflito de baixa intensidade, com ações iranianas principalmente contra aliados americanos, como a apreensão de um petroleiro britânico no Golfo Pérsico em julho, e ações de aliados dos EUA contra Teerã, como os bombardeios por Israel de forças iranianas na Síria. Com a morte de Soleimani, um herói para o establishment da República Islâmica, o conflito atinge um novo e perigoso patamar.

O ataque americano com mísseis aconteceu três dias depois que manifestantes pró-Irã e integrantes das Forças de Mobilização Popular (FMP) iraquianas tentaram invadir a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã, em um protesto contra bombardeios americanos que no último domingo mataram 25 integrantes de uma de suas milícias, a Kataib Hezbollah. Os bombardeios, segundo Washington, ocorreram em represália a um ataque desse grupo que matou um funcionário terceirizado em uma base dos EUA na cidade iraquiana de Kirkuk.

As FMP são uma coalizão de grupos xiitas criados a partir de 2014 para combater o Estado Islâmico no Iraque e posteriormente incorporadas às forças de segurança do país. A ofensiva contra o Estado Islâmico também deu origem ao atual acordo militar entre Bagdá e Washington, pelo qual os americanos mantêm no Iraque cerca de 5 mil soldados.

A influência do Irã no Iraque aumentou após a derrubada de Saddam Hussein, um sunita, na invasão americana de 2003, que levou ao poder representantes da maioria xiita iraquiana. Hoje, o primeiro-ministro iraquiano é obrigatoriamente um xiita. A maioria da população iraniana também pertence a esse ramo do islamismo.

Até agora, o governo iraquiano vinha tentando se equilibrar entre os interesses opostos de seus dois principais aliados, mas o ataque americano ao Kataib Hezbollah e agora o assassinato de Soleimani e do vice-comandante das FMP, outra vítima do ataque americano no aeroporto de Bagdá, obrigam o país árabe a escolher um lado.

Ironicamente, a mobilização pró-Irã desta semana aconteceu depois de mais de dois meses de protestos populares contra os serviços precários, o desemprego e a corrupção da classe política iraquiana que desgastaram as facções políticas ligadas a Teerã. Milícias xiitas foram acusadas de reprimir os protestos com violência, e missões diplomáticas iranianas foram atacadas em cidades como Basra e Najaf, no Sul do país.

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