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Economia Entenda a reforma tributária mais discutida na eleição

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O objetivo central do projeto é simplificar um dos sistemas mais caóticos do mundo. (Foto: Freepik)

Muito se fala na campanha presidencial sobre a proposta de reforma tributária do CCiF (Centro de Cidadania Fiscal). Mais conhecida como a reforma do Bernard Appy, economista e diretor da entidade, foi avaliada por quase todos os candidatos, mas o seu detalhamento acabou ficando em segundo plano. A proposta prevê a substituição, em um período de dez anos, de cinco tributos que hoje incidem sobre o consumo de bens e serviços por um imposto unificado cuja alíquota estimada é de 20%. Hoje, a diversidade de alíquotas é enorme – perfumes são tributados em 42%; alguns serviços, em zero.

O projeto também acaba com qualquer benefício fiscal para bens ou serviços. Em compensação, as empresas poderão recuperar o imposto pago em tudo o que compram para sua atividade produtiva, como insumos e matérias-primas – princípio básico de um IVA (Imposto sobre Valor Agregado).
O intuito é desonerar aquilo que, na avaliação de especialistas, é crucial à produtividade e à expansão econômica: a produção, além dos investimentos e das exportações.

Da parte dos dois candidatos que agora estão no segundo turno, Fernando Haddad (PT) participou de uma reunião com os autores da proposta e já sinalizou que pode encaminhá-la.

Já Paulo Guedes, futuro ministro da Fazenda caso Jair Bolsonaro (PSL) seja eleito, limitou-se a dizer que estuda possibilidades para adotar um tributo unificado.

Appy é apenas a face mais conhecida do CCiF, instituição independente cujo objetivo é aprimorar o sistema tributário e a gestão fiscal, financiada por algumas das maiores empresas do País, conforme o jornal Folha de S.Paulo.

O projeto não altera a carga tributária – nem para mais nem para menos. O objetivo central é simplificar um dos sistemas mais caóticos do mundo.

A expectativa é que a mudança possa fazer com que o PIB (Produto Interno Bruto) cresça 10% a mais em 15 anos. A proposta tem como grande apelo colocar um ponto final na chamada “guerra fiscal” – tentativa de atrair uma empresa de outro estado via redução de tributos.

Batizado de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), o novo tributo não prevê nenhum benefício fiscal e será cobrado no lugar onde o bem ou serviço é consumido (destino), não no estado de origem, como o ICMS.
Segundo o projeto, os Estados vão poder subir ou baixar a alíquota do imposto se precisarem de recursos. Mas, como a alíquota é uniforme para todos os bens e serviços, não será possível elevá-la apenas para tevês ou combustíveis.

Tudo o que é consumido no Estado será atingido via lei ordinária. Porém, por não prever nenhum tipo de desoneração fiscal, o novo tributo poderia afetar benefícios para os mais pobres. Hoje, alimentos da cesta básica, por exemplo, não pagam o PIS e a Cofins.

Para compensar, o projeto propõe cruzar o sistema de nota fiscal em que se fornece o CPF para obter a devolução de impostos com o cadastro único de programas sociais.

A ideia é devolver aos pobres boa parte dos impostos. Assim, nos primeiros R$ 250 gastos em compras seriam devolvidos 90% do imposto pago; de R$ 250 a R$ 500, devolução de 50% e assim por diante.

Quem perde?

Os economistas mapearam ainda possíveis perdedores. No grupo, estão desde Estados que gostam de conceder benefício fiscal, pois consideram a medida parte de seu poder político, até setores que vão ter de encarar aumento de preços, pois hoje são pouco tributados, como os serviços de streaming – Netflix e Spotify, por exemplo.

O olhar do consumidor tem de ser geral: enquanto os preços de alguns serviços devem subir, outros, como a conta de luz, perdem força, pois terão imposto mais baixo do que o atual.

Alguns Estados podem perder – aqueles que produzem mais do que consomem. Para mitigar isso, a fase de transição na distribuição de recursos arrecadados pelo tributo será maior, de 50 anos.

Além disso, tudo o que estados e municípios arrecadam hoje com ICMS e ISS será mantido por 20 anos, corrigido pela inflação.

Felizmente, os Estados que podem perder receita são minoria (sete dos 27 entes federados), entre eles São Paulo e Amazonas. O projeto também fala na formação de um fundo de desenvolvimento regional.

A proposta de emenda à Constituição está pronta à espera de um presidente que a encampe. “Queremos participar desse debate e defender nossa proposta, porque, modéstia às favas, sabemos que ela é a melhor”, diz Appy

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