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Mundo Entenda as investigações e processos que ameaçam os planos de Donald Trump

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Trump é investigado por interferência eleitoral e por conivência com invasão do Capitólio, por exemplo. (Foto: Shealah Craighead/The White House)

O diretor financeiro da Organização Trump, Allen Weisselberg, se entregou às autoridades na quinta-feira, horas antes dele e da empresa homônima de Donald Trump serem os primeiros processados em uma investigação de anos que apura possíveis delitos fiscais na companhia. O ex-presidente não será formalmente acusado, mas o novo desdobramento complica seus planos e aumenta suas chances de se tornar réu.

A notícia vem no mesmo mês do início de sua turnê de vingança contra os republicanos que votaram pelo seu impeachment, buscando mobilizar sua base com críticas a seus detratores e aos democratas – missão que se tornou mais difícil após ser banido das principais redes sociais devido ao seu endosso às turbas que invadiram o Capitólio em 6 de janeiro. Trump não esconde de ninguém sua ambição de retornar à cena política com uma candidatura à Presidência em 2024, mas enfrenta vários processos e investigações que ameaçam freá-lo.

Conheça os principais imbróglios judiciais que o ex-presidente e suas possíveis consequências:

Acusações criminais contra a Organização Trump

As acusações têm como foco evidências de que Weisselberg e outros executivos das Organizações Trump receberam apartamentos e carros gratuitos da empresa sem declará-los adequadamente em seus Impostos de Renda. Nos Estados Unidos, benefícios deste tipo são habitualmente tributáveis, mas há exceções e as regras não são muito claras.

Documentos obtidos durante as investigações e despachos judiciais indicam que Weisselberg, que ajudou os filhos de Trump, Eric e Donald Jr., a comandarem a empresa familiar enquanto seu pai esteve na Casa Branca, teria recebido regalias ou presentes corporativos estimados em dezenas ou centenas de milhares de dólares. Seu filho, Barry, também teria sido beneficiado.

As acusações formalmente apresentadas pelo procurador de Manhattan, Cyrus Vance, poderão prejudicar a companhia, desencorajando credores e investidores a fecharem negócios. Se for considerada culpada, a empresa provavelmente será multada e poderá sofrer outras punições.

As investigações continuam e a Promotoria ainda pode acusar Trump, especialmente se Weisselberg cooperar com os investigadores e depor contra seu chefe. Há meses, as autoridades tentam pressioná-lo para colaborar e firmar um acordo, mas não tiveram sucesso até aqui.

O ex-presidente já disse ter “100% de confiança” em seu braço direito de longa data – o executivo trabalha na Organização Trump há quase cinco décadas –, e diz que a investigação é guiada por motivações políticas. Em fevereiro, chegou a dizer que se trata da “maior caça às bruxas da História americana”.

Inquérito da Procuradoria de Nova York

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, está investigando se a Organização Trump inflou os valores de algumas de suas propriedades para obter empréstimos e, paralelamente, os reduziu para ter maiores benefícios fiscais.

Inicialmente, o caráter tinha inquérito exclusivamente civil, mas em maio James anunciou que trabalharia também na esfera criminal. A mudança coincidiu com a fusão das investigações de seu escritório e as da Promotoria de Manhattan, que têm o mesmo escopo.

Os registros judiciais mostram que James está investigando como a empresa e seus funcionários avaliaram o valor de Seven Springs, uma propriedade de 85 hectares em Westchester, ao norte de Manhattan, comprada em 1995 com o plano de ser transformada em um campo de golfe, algo barrado pela oposição local.

A empresa de Trump disse que a propriedade centenária, que abriga uma mansão de 4,6 mil metros quadrados, era usada como uma casa de campo pela família do ex-presidente, mas ainda assim a usou como um veículo para obter benefícios fiscais.

Supostas interferências eleitorais na Geórgia

Os promotores do principal condado da Geórgia abriram uma investigação criminal sobre as tentativas de Trump interferir no resultado das eleições de 2020 no estado sulista. A vitória de Biden – a primeira vez que um candidato democrata à Presidência ganha no estado desde 1992 – foi essencial para sua chegada à Casa Branca.

A Geórgia foi um dos estados em que Trump concentrou sua cruzada judicial para tentar reverter o voto popular, e pressionou para que o Legislativo local, controlado pelos republicanos, agisse a seu favor.

A investigação é liderada pelo procurador do condado de Fulton, Fani Willis, e tem como um de seus focos o telefonema que Trump fez ao secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, um republicano, em 2 de janeiro. Diferentemente do cargo homônimo federal, que cuida da diplomacia, uma das funções da posição é supervisionar o processo eleitoral.

Trump pediu para que Raffensperger “encontrasse” os votos necessários para reverter sua derrota nas urnas, segundo uma gravação obtida pelo Washington Post.

Difamação de E. Jean Carroll

E. Jean Carroll, autora e ex-colunista da revista Elle, processou Trump por difamação em 2019 após o presidente negar uma acusação de estupro. Carroll alega que ele a estuprou nos anos 1990, em uma loja de departamento em Nova York, e a acusou de mentir para alavancar as vendas de seu livro.

Em agosto de 2020, um juiz estadual permitiu que a tramitação do caso, o que significa que os advogados da escritora poderão solicitar uma amostra de DNA de Trump para ser comparada com o vestido que ela afirma ter usado durante sua ida à loja Bergdorf Goodman.

O Departamento de Justiça dos EUA tomou uma decisão surpreendente em junho, já sob o comando de Biden, de continuar a defender Trump no processo.

Ataque de 6 de janeiro ao Capitólio

Trump foi nomeado como réu em processos que dizem respeito à invasão da sede do Congresso americano por seus apoiadores em 6 de janeiro. O incidente coincidiu com a sessão conjunta que certificaria a vitória de Biden nas eleições de 2020, deixando cinco pessoas mortas.

Trump nega responsabilidade pelas cenas de violência em Washington, apesar de horas antes, em um discurso, ter instigado seus seguidores a marcharem ao Capitólio. Por meses, lançou uma ofensiva retórica e judicial – esta última maciçamente fracassada –, para tentar reverter o pleito, fazendo acusações falsas de fraude que submeteram às instituições democráticas ao seu maior teste na História recente americana.

Durante a invasão, Trump tuitou pedindo para que as turbas fossem para casa, mas chamando-as de “muito especiais” e dizendo que as amava.

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