Sexta-feira, 20 de março de 2026
Por Redação O Sul | 8 de maio de 2018
Após uma série de ameaças e duras críticas, o presidente americano Donald Trump anunciou na terça-feira (8) que os Estados Unidos vão abandonar o acordo nuclear firmado entre Irã e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, Reino Unido, França, China e Alemanha) em 2015. A saída americana aumenta o risco de conflitos no Oriente Médio, desagrada os aliados europeus dos EUA e provavelmente terá impacto no fornecimento global de petróleo, do qual o Irã é o sexto maior produtor.
Em pronunciamento na Casa Branca, o presidente americano chamou o acordo de desastroso e de um embaraço para os americanos, afirmando que o pacto não teria impedido o Irã de continuar a desenvolver o seu programa nuclear. “O regime iraniano patrocina o terrorismo e exporta mísseis para grupos como Hamas, Hezbollah e Al Qaeda”, disse Trump para justificar a sua decisão.
“Deixei claro que o acordo deveria ser renegociado ou os EUA não permaneceriam. Está claro para mim que não temos como evitar uma bomba nuclear iraniana com este acordo. Anuncio que os EUA se retiram do acordo nuclear. Vamos restabelecer as sanções econômicas.” Trump afirmou ainda que se o Irã estiver disposto a assinar um novo acordo, “grandes coisas poderão acontecer para o Irã e o Oriente Médio”.
O presidente americano tinha até dia 12 de maio para informar ao Congresso americano seu posicionamento sobre o pacto. O histórico acordo teve como objetivo encerrar as pretensões do Irã de desenvolver armas nucleares em troca do fim das sanções econômicas que os países ocidentais aplicavam a Teerã. Desde sua campanha presidencial em 2016, Trump sempre criticou o acordo, firmado por Barack Obama. Ele o considera “desatroso”, qualificando o pacto como “o pior acordo da já feito”.
Ainda que a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), ligada à ONU (Organização das Nações Unidas), tenha atestado mais de uma vez, ao longo da implementação do pacto, que o governo iraniano está cumprindo a sua parte, o republicano critica o fato de o documento estar circunscrito ao programa nuclear do Irã, sem incluir um corte no equipamento bélico convencional, sobretudo mísseis. Além disso, o americano sustenta que, após o prazo que proíbe a construção de instalações nucleares por 15 anos, o Irã retomará tais projetos.
Na semana passada, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu que Trump abandonasse o acordo, afirmando ter provas de que Teerã não havia abandonado o programa de bombas nucleares. O entorno de Trump na Casa Branca também é majoritariamente contra o acordo. Os países europeus, contudo, indicam que podem manter o acordo com os iranianos mesmo sem os EUA. O Irã, por sua vez, passou os últimos dias ameaçando os Estados Unidos caso Trump decida pela saída dos americanos do tratado.
A decisão de Trump já era esperada, e, antes de seu anúncio, a especulação em torno do posicionamento americano gerou uma série de reações na Europa a favor da manutenção do pacto. A União Europeia manifestou seu apoio para que “todas as partes” continuem aplicando o acordo nuclear com o Irã durante uma reunião com o vice-chanceler iraniano.
O plano
O plano de ação conjunta foi acordado num contexto em que potências mundiais temiam o acelerado programa nuclear iraniano. Há mais de uma década, os Estados Unidos acusavam o país de estar desenvolvendo armas nucleares. As acusações tinham o respaldo de relatórios de agências internacionais, segundo os quais o Irã enriquecia urânio em níveis superiores ao necessário para a produção de energia.
No plano, grosso modo, o Irã se comprometeu a reduzir o enriquecimento do urânio a uma porcentagem considerada segura pelos órgãos internacionais, suspendendo as atividades em uma de suas instalações e reduzindo suas reservas de urânio em 98% ao longo de 15 anos.
Além disso, o texto prevê um monitoramento feito pela Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU. Em troca, EUA e países europeus revogaram uma série de sanções econômicas que vinham sendo feitas ao país. É importante ressaltar que o plano se restringe ao enriquecimento de urânio no Irã para fins nucleares, não tocando em outros pontos nevrálgicos como mísseis balísticos, grupos terroristas e influência em conflitos de países do Oriente Médio.
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