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Economia Entenda o caso do Banco Master e saiba quem são todos os envolvidos

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Vorcaro, controlador do Master, comprou uma participação no Banco Máxima, em 2017. (Foto: Divulgação)

A investigação sobre o Banco Master tem envolvido diversas figuras e órgãos públicos. Para além de Banco Central, Polícia Federal e Ministério Público Federal, que investigam a instituição e seu dono, Daniel Vorcaro, por supostas fraudes ao sistema financeiro, o caso se alastrou ao TCU (Tribunal de Contas da União) e ao STF (Supremo Tribunal Federal), envolvendo ministros, autoridades do governo Lula e até influencers.

Antes de ser preso, Vorcaro cultivou diversas conexões com figuras importantes. Ele se aproximou do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, e de Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Além disso, o banco contratou o escritório de familiares do ministro Alexandre de Moraes (STF) no valor de R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição financeira.

A Polícia Federal fez na quarta-feira (14) nova operação de busca e apreensão contra Vorcaro. Agentes realizam buscas contra o ex-banqueiro, que cumpre prisão domiciliar em São Paulo. São 42 mandados de busca e apreensão nesta nova fase da operação, além de ordens de sequestro e bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões.

Além disso, o Master chegou a contratar como consultores Ricardo Lewandowski, entre o intervalo de sua aposentadoria no STF e o comando do Ministério da Justiça, Gustavo Loyola e Henrique Meirelles, ex-presidentes do Banco Central, e Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, que marcou encontro de Vorcaro com o presidente Lula.

Vorcaro também se aproximou de empresários que têm trânsito e influência no meio político, como João Camargo, do grupo Esfera Brasil, João Doria, do Lide, e Karim Miskulin, do grupo Voto. Nos últimos três anos, alguns dos eventos realizados por esses grupos, reunindo empresários e políticos, receberam financiamento do Master.

Mais recentemente, o banco contou com o ex-presidente Michel Temer (MDB) para tentar destravar o negócio com o BRB (Banco de Brasília), barrado pelo Banco Central. Temer foi procurado inicialmente pelo seu correligionário, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e por dirigentes da instituição brasiliense.

Surgimento

Vorcaro, controlador do Master, comprou uma participação no Banco Máxima, em 2017. Ele assumiu o controle da instituição financeira em 2019 e a rebatizou como Master em 2021.

Antes de ingressar no Master, Vorcaro trabalhou por oito anos na empresa de seu pai, o Grupo Multipar, como diretor financeiro e presidente. A companhia do setor imobiliário sediada em Belo Horizonte atua na gestão, aquisição e venda de ativos imobiliários e empresariais.

Vorcaro fez com que o Master crescesse nos últimos anos usando estratégia considerada agressiva de venda de CDBs com alta remuneração a aplicadores. Em agosto deste ano, o banco vendia CDBs com retorno de 120% do CDI –remuneração bem acima das taxas de mercado.

Pressionado, o Master aceitou uma proposta de compra pelo BRB (Banco de Brasília) em março do ano passado. Em setembro, contudo, a compra foi rejeitada pelo BC (Banco Central), que disse ter levado em conta o risco de sucessão para vetar o negócio.

Vorcaro

O banqueiro Daniel Vorcaro atraiu a atenção do mercado financeiro após comprar 80% do projeto Fasano Itaim, que reúne hotel, torre residencial e restaurantes, no fim de 2022. Em 2024, voltou a surpreender o setor com a aquisição do Banco Voiter e do Will Bank.

Seu nome costumava repercutir no noticiário pela realização de eventos luxuosos, que incluem conferências com ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no exterior e a festa de 15 anos da filha com show do DJ Alok.

Além dos negócios do banco, Vorcaro investiu R$ 300 milhões na SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Atlético-MG, o que lhe rendeu 27% de participação.

Fraue

A operação da Polícia Federal que prendeu Vorcaro e mirou o Master envolve uma fraude estimada em R$ 12 bilhões, afirmou o diretor-geral da instituição, Andrei Passos. A operação tem o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.

A suspeita dos investigadores é de que o Master tenha usado o negócio com o BRB (Banco de Brasília) para esconder a fabricação de carteiras falsas de crédito consignado. Isso inflou o balanço do Master, ainda de acordo com as investigações.

As carteiras de consignado, formadas com tomadores de crédito inexistentes, teriam sido vendidas ao banco de Vorcaro e, por fim, compradas pelo BRB.

Investigadores ainda querem apurar se houve pressão de políticos para que a negociação entre BRB (Banco de Brasília) e Banco Master se concretizasse.

A proposta de compra do Master pela Fictor Holding Financeira, divulgada antes de Vorcaro ser preso, também entrou na mira dos investigadores da PF. Segundo eles, há suspeita de que a ação tenha sido uma espécie de simulacro para facilitar a fuga do banqueiro do País. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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