Sexta-feira, 27 de março de 2026
Por Redação O Sul | 1 de maio de 2020
Com vigência prevista a partir dos próximos dias, o modelo de distanciamento controlado é um sistema definido pelo governo do Rio Grande do Sul para permitir a retomada gradual das atividades em um cenário ainda marcado pela pandemia de coronavírus. Basicamente, trata-se da adoção de critérios geográficos, econômicos e sanitários que permitam tomar decisões específicas para diferentes realidades no mapa gaúcho.
Esse processo leva em conta todos os dados necessários para a construção de uma política de enfrentamento ao coronavírus baseada na segmentação regional e setorial. Também entram na análise a capacidade de atendimento aos casos de Covid-19 pela rede hospitalar. A ideia é central é solucionar regionalmente um dos principais dilemas da atualidade, em todo o planeta: como autorizar que lojas reabram as portas, por exemplo, sem que haja riscos à vida humana?
“Não é uma flexibilização aleatória, não é para voltarmos ao normal como conhecíamos”, ressalta o governador Eduardo Leite. “O que vamos estabelecer vai ocorrer a partir de indicadores objetivos em cada uma das 20 regiões definidas para atuarmos no local em que for necessário, no momento em que for necessário e na proporção que for necessária.”
Serão mensurados 11 indicadores que foram agrupados em dois grandes grupos: Propagação (velocidade do avanço, estágio da evolução e incidência de novos casos sobre a população) e Capacidade de atendimento (capacidade e mudança na capacidade hospitalar).
Bandeiras
O novo modelo de distanciamento prevê quatro estágios de controle, traduzidos em “bandeiras”: amarela, laranja, vermelha e preta – sendo que a amarela indica uma situação mais amena, com medidas mais flexíveis, e avançando o grau de restrições até a preta, quando seria necessário maior restrição.
Para definir a cor de cada região, serão levados em conta 11 indicadores que estão divididos em dois eixos: propagação da Covid-19 (como velocidade, evolução e incidência de novos casos) e capacidade de atendimento hospitalar.
Além da regionalização, a política prevê a divisão setorial. Educação, comércio, serviços, indústria, transportes, agricultura, entre outros, terão restrições proporcionais ao nível de segurança do contágio por coronavírus e ao respectivo impacto econômico.
De acordo com o índice de cada setor e dependendo da situação da região em que se encontra, serão determinados protocolos específicos de operação, como horários, restrições de pessoas e obrigatoriedade de máscaras, entre outras regras.
Se o modelo estivesse em vigor, as regiões de Lajeado (Vales) e Passo Fundo (Norte) estariam com bandeiras vermelhas e teriam medidas mais rígidas do que Porto Alegre e Região Metropolitana, que apesar do maior número de infectados, apresenta maior disponibilidade de leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).
Além de restrições, essas duas regiões também teriam (e terão) mais atenção do Estado para o envio de recursos, profissionais, EPIs e políticas públicas.
Protocolos
Esses protocolos ainda não estão finalizados. O diálogo foi aberto com as entidades setoriais, a quem o modelo de distanciamento controlado foi apresentado em reuniões virtuais, e que podem apresentar sugestões até este fim de semana.
“Queremos construir de forma conjunta para que seja algo que faça sentido para todo mundo e promover o engajamento de toda a população”, acrescentou o governador.
Segundo a titular da Seplag (Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão), Leany Lemos, assim que os protocolos estiverem definidos e forem oficialmente lançados, haverá um site no qual as pessoas poderão tirar dúvidas.
Até a finalização e publicação da política de distanciamento controlado, já está em vigor um decreto transitório, que mantém a flexibilização quanto ao funcionamento do comércio a critério das prefeituras. O documento foi publicado nesta sexta-feira (1°).
(Marcello Campos)
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