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Mundo Entenda o plano para liberar o Estreito de Ormuz e retirar 11 mil marinheiros retidos no Golfo Pérsico

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Mais de 11 mil marinheiros que seguem bloqueados na região do Estreito de Ormuz. (Foto: Reprodução)

A evacuação de mais de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz pela guerra no Oriente Médio começou na terça-feira, mas persistem divergências entre Irã e Estados Unidos, especialmente sobre o programa nuclear iraniano. A Organização Marítima Internacional (OMI), agência especializada da ONU, anunciou um plano de evacuação para os mais de 11 mil marinheiros que seguem bloqueados na região do Estreito de Ormuz. O planejamento se faz necessário uma vez que a Guarda Revolucionária Islâmica teria instalado diversas minas marítimas na travessia para tentar impedir o trânsito de embarcações.

“Essa operação de grande escala será realizada em estreita colaboração com Irã, Omã, os demais Estados ribeirinhos da região, os Estados Unidos e o setor marítimo”, declarou o secretário-geral da OMI, o panamenho Arsenio Domínguez. “Obtivemos as garantias de segurança necessárias e verificamos minuciosamente as condições para a navegação segura, a fim de apoiar essas operações”.

Na semana passada, Teerã e Washington assinaram um memorando de entendimento (MoU) para interromper uma guerra que deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou a economia global. O memorando estabeleceu as bases para as negociações que começaram no domingo na Suíça, com a mediação do Paquistão e do Catar. O objetivo é chegar a um acordo final em 60 dias prorrogáveis, sobre questões como o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais contra Teerã. Arsenio Domínguez saudou com entusiasmo a assinatura do documento.

“Após meses de dificuldades e sofrimento para milhares de marinheiros inocentes e repercussões negativas para o mundo inteiro, saúdo profundamente o acordo de paz, que representa um passo decisivo para restaurar a segurança marítima e pôr fim aos ataques inaceitáveis ​​contra a navegação civil”, declarou o líder panamenho.

O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz começou a aumentar desde que o Irã e os Estados Unidos concordaram, na semana passada, em reabrir a importante rota de navegação como parte de um acordo que visa encerrar a guerra.

De acordo com um Aviso aos Navegantes emitido por Omã e facilitado pela OMI, o plano de evacuação prevê o uso de duas rotas temporárias pelo estreito, e as embarcações serão contatadas individualmente para receberem instruções adicionais.

A expectativa de especialistas é de que drones, helicópteros e veículos submarinos não tripulados sejam utilizados posteriormente por Washington e seus aliados nas operações de busca e remoção dos explosivos supostamente posicionadas por Teerã na região, etapa considerada fundamental para garantir a segurança da navegação na via principal do estreito.

Negociações pela paz

Na terça-feira, o Irã confirmou que as negociações técnicas foram concluídas e anunciou a criação de quatro grupos de trabalho para tratar dessas questões. No entanto, refutou as declarações do vice-presidente dos EUA, JD Vance, negando que seu governo tivesse concordado em convidar inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para monitorar as instalações nucleares bombardeadas pelas forças israelenses e americanas durante a guerra de 12 dias em junho de 2025.

“Não tivemos nenhuma reunião com o diretor-geral da AIEA, nem prevemos que a agência inspecione as instalações nucleares iranianas danificadas pela agressão militar dos EUA e de Israel”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu que o Irã aceitou “plena e completamente” permitir inspeções nucleares “no mais alto nível”.

“Com base nisso e em outras concessões importantes feitas pelo Irã, concordei em permitir que o Estreito de Ormuz permaneça aberto, sem qualquer outro bloqueio naval”, escreveu Trump em sua rede social, Truth Social.

O principal negociador iraniano advertiu que a circulação pelo estratégico Estreito de Ormuz — por onde passavam 20% das exportações globais de hidrocarbonetos antes da guerra — não voltará a ser como antes.

Irã e Omã anunciaram que prestarão “serviços marítimos” no âmbito de uma administração conjunta da via marítima. A possibilidade de cobrança de taxas para a passagem de embarcações ganhou força na terça-feira, quando os dois países informaram que estudam os custos desses serviços.

“A administração do Estreito de Ormuz nunca voltará a ser o que era antes da guerra”, afirmou Mohammad Bagher Ghalibaf, negociador-chefe iraniano e presidente do Parlamento.

Por sua vez, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou na terça-feira que, sem seus mísseis, seu país teria acabado “exatamente como Gaza” e insistiu que seu programa de mísseis balísticos é inegociável.

“Se não tivéssemos os mísseis que temos para nossa defesa, Israel e os Estados Unidos teriam arrasado o Irã como fizeram com Gaza, sem piedade nem de idosos nem de jovens”, destacou ele durante uma visita ao Paquistão, um mediador fundamental nas negociações entre Teerã e Washington. “Nunca negociaremos com ninguém, sob nenhuma circunstância, em relação às nossas capacidades defensivas.” As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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