Quinta-feira, 03 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 25 de julho de 2024
A atual vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, já é bem conhecida por sua defesa vigorosa do direito ao aborto, seu papel no governo Biden na imigração e segurança nas fronteiras e seu legado como promotora e procuradora-geral da Califórnia. No entanto, suas posições e objetivos quanto à economia, uma preocupação central na eleição, ainda não estão claramente definidas.
O histórico dela, porém, revela algumas pistas sobre suas prioridades, como o foco no trabalhador de baixa renda, na mulher, na pequena empresa e na família de classe média.
Como vice-presidente, Kamala tem se alinhado em grande medida ao presidente Biden em questões econômicas, e alguns analistas veem esse histórico como um indicativo. “Em geral, achamos que ela seguirá a trilha Biden-Harris”, disseram analistas de políticas econômicas do banco de investimento Evercore ISI.
Antes de fazer parte do governo, ela divergiu algumas vezes do presidente Biden — mais especificamente em políticas relacionadas ao comércio exterior e ao clima —, posicionando-se com frequência a favor de uma maior intervenção governamental na economia.
Na segunda-feira (22), em discurso para a equipe de campanha, ela esclareceu algumas de suas prioridades econômicas. Como presidente, ela defenderá a licença familiar remunerada e serviços acessíveis de creche, disse Kamala.
“Fortalecer a classe média será uma meta definidora da minha presidência”, acrescentou. “Porque sabemos que, quando nossa classe média é forte, os EUA são fortes.”
Desafio econômico
O obstáculo mais imediato que Kamala pode precisar superar são os pontos de vista negativos dos americanos sobre o legado econômico de seu próprio governo. Em 2022, no mandato de Biden, a inflação atingiu o maior patamar em 40 anos. Os impactos foram variados, desde preços exorbitantes nos supermercados até elevações das taxas de juros do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), o que, em parte, tornou mais difícil o pagamento dos financiamentos imobiliários e a compra de casas pelos americanos.
A inflação arrefeceu e muitos economistas preveem que o Fed reduzirá os juros em setembro. No entanto, os americanos ainda lidam com as consequências — em junho, o Departamento do Trabalho informou que os preços ao consumidor subiram 19,5% desde dezembro de 2020.
A vice-presidente compreende como os preços altos afetam as famílias trabalhadoras e há muito se dedica a medidas destinadas a aliviar esse fardo, segundo um ex-assessor de Kamala, que a aconselhou em questões econômicas.
Comércio exterior
Kamala divergiu de Biden em dois grandes acordos comerciais enquanto era candidata ao Senado e como senadora.
Um deles foi a Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), um amplo pacto comercial entre EUA, Japão e outros dez países na região do Oceano Pacífico, assinado durante o governo Obama em 2015. Kamala se opôs ao pacto como candidata ao Senado em 2016, dizendo à imprensa estar preocupada com seu impacto sobre os trabalhadores e o clima.
Na prática, o tratado comercial acabou após a eleição no fim de 2016, e Trump retirou formalmente os EUA do pacto após assumir o cargo.
Como senadora, Kamala foi uma das dez que votaram contra o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) uma versão renegociada do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta) da qual Trump costuma se vangloriar. Ela argumentou que as disposições ambientais eram insuficientes. Biden, como candidato à presidência, apoiou a substituição.