Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de janeiro de 2026
Sabatina de Otto Lobo (foto) não tem data para acontecer
Foto: ReproduçãoAtribuída por auxiliares a uma decisão exclusiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a escolha de Otto Lobo para o comando da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foi considerada inicialmente uma indicação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Na quinta (8), porém, ele disse a senadores aliados que não teve qualquer participação.
O trâmite prevê que Lobo seja sabatinado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e depois passe por uma votação no plenário da Casa. Mas a expectativa é que haja demora para marcar a sabatina, já que os senadores não participaram da escolha.
Na quarta-feira (7), Alcolumbre foi procurado por um integrante do governo logo após a publicação da indicação de Lobo no Diário Oficial da União. Na conversa, o presidente do Senado afirmou que não havia negociado a escolha com Lula. A decisão do presidente representou uma derrota para o titular da Fazenda, Fernando Haddad, que havia se colocado nas discussões internas contra a indicação.
Nos bastidores, assessores do presidente dizem que a indicação teve apoio do empresário Joesley Batista, um dos controladores do Grupo J&F. A empresa negou que Joesley tenha feito a indicação. Pessoas próximas aos controladores da J&F dizem que a vinculação de Joesley a Otto é uma tentativa de aliados de Haddad de justificarem o fato de o preferido do ministro da Fazenda, o advogado Ferdinando Lunardi, não ter sido o escolhido.
Membro de uma família com cargos no Judiciário, Otto Lobo tem trânsito especialmente azeitado entre juízes e desembargadores — e até no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas a escolha foi vista pelo mercado financeiro como uma indicação política para um órgão até então blindado de ingerências e ele também enfrenta resistências do corpo técnico da autarquia.
“O clima é de luto, desalento. Um baixo astral tremendo”, afirmou um integrante do órgão regulador do mercado que pediu para não ser identificado.
A resistência interna ganhou força na quinta. Um dia após sua indicação ao cargo, o colegiado do órgão convocou reunião extraordinária para discutir mudanças no regimento interno. Segundo a coluna Capital, as alterações previstas ampliam os poderes do presidente do órgão, criando novas superintendências e aumentando o número de indicados pelo chefe da CVM.
A proposta cria duas novas superintendências: de Desenvolvimento de Inteligência (SDI) e de Supervisão de Mercado, Derivativos e Riscos Sistêmicos (SMD), além de instituir uma corregedoria e uma ouvidoria. O documento determina que a nova SDI seja diretamente vinculada ao presidente e que algumas gerências passem a ficar sob a nova superintendência.
Em paralelo, as mudanças ampliam o escopo da Superintendência de Orientação aos Investidores e Finanças Sustentáveis, para a qual Lobo conseguiu emplacar um nome de confiança antes de terminar seu mandato como presidente interino. A área perderia do nome o termo “Finanças Sustentáveis” e incluiria o de “Inovação Financeira”, na prática turbinando os poderes da área, já que o novo termo é mais abrangente.
As mudanças no regimento interno já vinham sendo desenhadas desde antes da renúncia de João Pedro Nascimento, em meados do ano passado. O objetivo era arejar a estrutura da CVM para dar conta de novas áreas importantes para o desenvolvimento do mercado e aproveitar a chegada de servidores concursados ao órgão.
Mas chamou a atenção da área técnica a forma como as mudanças estão sendo propostas. Além de alterações que concentram poder na presidência, houve mudança brusca no formato da reunião para discuti-las. Inicialmente, todos os superintendentes foram convocados; minutos depois, alegando “a urgência da atualização do regimento interno”, o presidente interino, João Accioly, “desconvidou” a maioria.
Nos últimos dias, integrantes do Ministério da Fazenda preveniram os candidatos favoritos da pasta ao cargo sobre a nomeação de Lobo. Candidatos preteridos foram avisados de que “questões políticas” se impuseram e que Haddad teria ficado “chateado” com a solução.
Segundo fontes, a percepção é que, em ano eleitoral, o governo precisa garantir apoio, e o comando da CVM faz parte do arranjo. (Com informações do jornal O Globo)
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