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Brasil Entenda a polêmica causada pela declaração do diretor-geral da Polícia Federal sobre o inquérito contra Michel Temer

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Fernando Segóvia (E) assumiu o comando do órgão em novembro. (Foto: (Marcos Corrêa/PR)

A declaração do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Fernando Segovia, deflagrou na semana passada mais uma polêmica no meio político: ele sugeriu arquivar um inquérito em andamento contra o presidente Michel Temer, por suspeita de favorecer uma empresa na prorrogação de contratos no porto de Santos (SP).

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso cobrou explicações. Ele quer saber se Segovia opinou sobre um inquérito “ainda não concluído, inclusive ameaçando de sanções o delegado responsável, que deve ter autonomia para desenvolver o seu trabalho com isenção e livre de pressões”.

Na sequência, Segovia ligou para Barroso, disse que foi “mal interpretado” e marcou uma reunião com o ministro, que é relator do inquérito no STF. Veja, a seguir, os fatos que precedem a polêmica:

Novembro

O processo de definição do substituto de Leandro Daiello no comando da PF entrou na reta final, após quase sete anos – período no qual foi deflagrada a Operação Lava-Jato.

No dia 4, um domingo, o senador Romero Jucá (RR) e o ex-presidente José Sarney, ambos do MDB, reuniram-se com Temer no Palácio do Jaburu. Sarney, que nega oficialmente o apoio, avalizou a Temer o nome de Segovia como novo diretor-geral.

No dia 8, Segovia foi anunciado no cargo. Ele não era o nome preferido do ministro da Justiça, Torquato Jardim, a quem a PF está subordinada. Seu nome foi apoiado por políticos. No dia 10, Leandro Daiello deixou o comando da PF.

No dia 20, Segovia assumiu oficialmente a direção da PF. Ao tomar posse, disse que “Temer continuará a ser investigado, sem nenhum problema”, mas colocou em dúvida se “uma única mala” é suficiente para apontar se Temer praticou corrupção

Janeiro

No dia 3, Temer recebeu 50 perguntas formuladas pelo delegado delegado responsável pelo inquérito dos portos, Cleyber Malta Lopes. No dia 15, Temer teve reunião com Segovia sem a presença do ministro da Justiça, a quem o diretor-geral da PF é subordinado.

No dia 18, Temer respondeu todas as perguntas. Negou recebimento de propina ou vantagens indevidas e, no dia seguinte, pediu o arquivamento do inquérito. No dia 22, o ex-coronel da PM João Baptista Lima, amigo de Temer há anos, disse à PF que não poderia prestar esclarecimentos por motivos de saúde.

No dia 23, relatório parcial da PF incluído no inquérito apresenta um e-mail de uma empresa do setor de portos apreendido durante operação na casa de Rocha Loures, ex-assessor de Temer que ficou conhecido pela mala de R$ 500 mil da JBS/Friboi. No dia 29, Temer e Segovia se reuniram de novo. Novamente sem a presença do ministro da Justiça.

Fevereiro

No dia 4, a PF intimou o presidente da Caixa, Gilberto Occhi, a depor no inquérito que investiga Temer. No dia 5, a PF intimou novamente o ex-coronel ligado a Temer a depor. A polícia tenta ouvir Lima desde 2017, mas ele sempre alega motivos de saúde para não comparecer.

No dia 7, o presidente da Caixa foi chamado ao Palácio do Planalto um dia após depor à PF no inquérito. No dia 9, a agência de notícias Reuters divulga entrevista com Segovia. O diretor da PF diz que a investigação do caso do porto de Santos não comprovou pagamento de propina e deve sugerir o arquivamento do inquérito.

No dia 10, delegados da Lava Jato disseram que não referendam as declarações de Segovia, e o ministro do STF Luís Barroso cobrou explicações. Barroso afirmou que, em tese, as declarações do diretor-geral sobre uma investigação em andamento podem “caracterizar infração administrativa e até mesmo penal”.

No mesmo dia, Segovia divulgou carta em que nega ter falado em arquivamento e disse que a investigação sobre Temer não sofre interferência. Depois, ligou para o ministro do STF e marcou reunião para o dia 19, para se explicar pessoalmente.

Bastidores

O delegado que investiga Temer, Cleyber Lopes, é desafeto do diretor-geral da PF. Quando Segovia era superintendente da PF no Maranhão, Cleyber presidiu um inquérito envolvendo a família Sarney. Ele também atuou na investigação do “Quadrilhão do PMDB”, que encontrou indícios de organização criminosa envolvendo Temer e políticos do PMDB na Caixa.

Desde que Segovia assumiu a PF, Temer pleneja tirar Cleyber do inquérito. O presidente se irritou com as novas intimações do ex-coronel da PM João Baptista Lima e do ex-executivo da JBS/Friboi Ricardo Saud e do empresário Joesley Batista. Mas o que mais o irritou foi o pedido para que uma investigação já arquivada contra Temer fosse incluída.

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