Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de março de 2021
A festejada e bem-sucedida campanha de vacinação do Reino Unido, associada ao terceiro e mais longo período de quarentena a que o país foi submetido no último ano, mostra luz no fim do túnel, com a queda acentuada das infecções, internações e mortes pelo coronavírus. Mas — assim como em outros países com a vacinação avançada, como Israel — não é ainda a almejada panaceia. A equipe de cientistas que aconselha o governo britânico reconheceu que as “chances de se erradicar o vírus são quase nulas”. Isso explica a reabertura a conta-gotas e sinaliza para o resto do mundo que retomar a vida como ela era está fora de cogitação.
O primeiro-ministro Boris Johnson afirmou que “vacina por vacina, seguimos o caminho de retomada da liberdade”. Mas não deu prazos para que isso aconteça. Nem poderia. O tal do novo normal, segundo especialistas, vai incluir máscaras e distanciamento social por alguns anos.
“Dependerá do nível de controle que alcançaremos com a vacinação e do aparecimento, prevalência e efeitos das novas cepas. Sabemos que máscaras e menos contato físico diminuem o contágio para qualquer variante. Diante da redução da eficácia das vacinas para algumas delas, é provável que nos fiemos nas intervenções não farmacêuticas por um bom tempo”, disse Julián Villabona Arenas, epidemiologista da Escola de Saúde e Medicina Tropical de Londres.
Além da preocupação com as mutações do vírus — como a que surgiu no Reino Unido e hoje domina boa parte da Europa — o processo desigual de vacinação e distribuição de imunizantes mundo afora afetará as decisões dos países. A terceira onda de contaminações no continente, onde Itália, França e Alemanha anunciaram novos confinamentos parciais, confirma que o risco pode estar ao lado. Por isso, antes mesmo de anunciar a permissão para que seus nacionais voltem a viajar para o exterior, o governo britânico já considera impor novas restrições a quem chega da Europa. Atualmente, estão na lista vermelha de Londres 34 países, entre eles o Brasil.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem ressaltado que, enquanto todos não estiverem protegidos, ninguém estará protegido. A avaliação de especialistas é que, em boa parte da África, por exemplo, os antígenos só devem chegar a todos em 2024. No Brasil, hoje epicentro da pandemia, os números têm batido recordes diários. Com a lentidão da campanha de vacinação, cientistas afirmam que o país se tornou ambiente ideal para o surgimento de novas mutações, o que ameaça os avanços no resto do mundo. Tudo isso torna cada vez mais distante a ideia de normalidade.
Na China, onde tudo indica que o vírus está controlado, não há prazo para o fim das restrições. Viagens de e para o exterior continuam controladas. Enquanto não vacina seu 1,4 bilhão de habitantes, o país se mantém fechado como forma de controle da pandemia.
Embora tendam a reduzir de maneira significativa as manifestações graves da doença, vacinas não garantem a vitória contra o vírus. O grau de proteção que oferecem varia. Ou seja, existe uma parte da população para a qual a proteção será nula ou reduzida. Há ainda um grupo não desprezível de pessoas, diferente em cada país, que se recusa a ser vacinado.
“Vacinas oferecem proteção. Mas ainda há muitas dúvidas sobre a duração dessa proteção, a eficácia contra as novas variantes e em quanto reduzem a transmissão”, ressalta Arenas, que destaca as discussões sobre novos antígenos voltados para as mutações.
Doses de reforço, e a frequência com que serão necessárias, entraram na agenda. No Reino Unido, o governo tem insistido na tese de que uma terceira dose será aplicada ainda no terceiro trimestre deste ano, pelo menos nos indivíduos mais vulneráveis. A ideia é mirar as novas cepas e estender a duração dos anticorpos inoculados na população até agora. A equipe científica do governo está cada vez mais convencida de que esse período é de seis meses.
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