Terça-feira, 22 de setembro de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
12°
Fair

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Política Entenda por que os grupos criminosos PCC e Comando Vermelho são considerados terroristas nos Estados Unidos e não no Brasil

Compartilhe esta notícia:

Donald Trump classificou PCC e CV como organizações terroristas e disse que o Brasil falhou no combate. (Foto: Reprodução)

Recentemente, a Casa Branca acusou o governo brasileiro de “falhar” no combate ao PCC e ao CV, facções classificadas como terroristas pelos Estados Unidos. Nessa sexta-feira (18), em resposta à acusação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não aceita a classificação das organizações criminosas pelos norte-americanos.

Em discurso, o candidato do PT à reeleição disse que “terrorismo” foi o 8 de Janeiro e o planejamento de assassinato de autoridades no contexto da trama golpista.

“Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o (Donald) Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado, ele não fala da luta e da briga pelo poder. Quem fazia isso? O Bolsonaro tentando dar o golpe no 8 de Janeiro. Isso é terrorismo, pensando em matar Lula, Alckmin e até o Alexandre de Moraes. Isso é terrorismo de Estado”, afirmou Lula.

A discordância sobre a designação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas não é de hoje, já que EUA e Brasil têm critérios diferentes para enquadrar grupos criminosos nessa categoria.

Segundo o Departamento de Estado do país, são três condições principais:

* Ser uma organização estrangeira.

* Engajar-se em atividade terrorista (ou ter capacidade e intenção de fazê-lo).

* Representar ameaça à segurança de cidadãos ou à segurança nacional dos EUA (defesa, relações exteriores ou interesses econômicos).

Já na legislação brasileira, terrorismo é definido pela prática de atos violentos “por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio ou a paz pública”.

Em maio do ano passado, após ser questionado por uma comitiva americana sobre o assunto em uma reunião no Ministério da Justiça, o então secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sabburro, explicou a diferenciação brasileira.

“Estas organizações criminosas (brasileiras) não têm qualquer viés ideológico, não têm qualquer viés político, religioso, não querem mudar o sistema. Muito pelo contrário, elas pretendem a prática de infrações penais, lavagem de dinheiro”, afirmou o secretário.

Ou seja, a motivação é o que diferencia um grupo terrorista de uma facção criminosa no Brasil. Terroristas costumam buscar fins ideológicos ou políticos, enquanto facções como o PCC ou o CV visam o lucro, especialmente por meio do tráfico de drogas, armas e crimes financeiros.

Thiago Bottino, professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas do Rio, explicou ao g1, em março deste ano, que a busca pela desestabilização do Estado é outro fator para diferenciar facções criminosas de grupos terroristas.

“Um ato terrorista quer desestabilizar o governo. Já organizações criminosas como as nossas não querem desestabilizar governo nenhum, muito pelo contrário. Quanto mais estável for a situação, melhor para atividades criminosas deles”, diz.

Consequências

A classificação tem consequências legais e políticas, por exemplo:

* É crime nos EUA fornecer “apoio material” (dinheiro, treinamento, armas, serviços etc.) ao grupo.

* Ativos financeiros ligados ao grupo podem ser bloqueados e transações proibidas.

* Membros ou associados podem ter visto negado ou ser deportados.

* A designação ajuda a isolar o grupo internacionalmente e a cortar seu financiamento.

Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, em 2025, os EUA já designaram diversas organizações estrangeiras como terroristas. Em novembro do ano passado, por exemplo, o Cartel de los Soles – organização venezuelana que os EUA dizem ser chefiada pelo então presidente Nicolás Maduro – recebeu a classificação.

Washington acusa o Cartel de los Soles de trabalhar com a gangue venezuelana Tren de Aragua, também já designada como organização terrorista estrangeira pelos Estados Unidos, no envio de drogas aos EUA.

Na época, Trump afirmou que a inclusão dava aos EUA o poder de atacar alvos ligados a Maduro em território venezuelano.

Em janeiro deste ano, o exército norte-americano invadiu a Venezuela e capturou Maduro. (Com informações do portal g1)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Lula diz não aceitar classificação de terroristas dada por Trump às facções brasileiras PCC e Comando Vermelho
Em negociações do tarifaço, governo Trump exigiu do Brasil compra de aviões da Boeing para voos comerciais
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x