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Brasil Enterro de menina morta em escola no Rio é marcado por emoção e revolta

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Maria Eduarda com as amiga. Menina de 13 anos foi morta dentro do colégio (Foto: Reprodução)

Cerca de 150 pessoas compareceram ao enterro da menina Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, que morreu após ser baleada dentro da Escola Municipal Daniel Piza, em Acari, na Zona Norte do Rio. A cerimônia foi no Cemitério Jardim da Saudade, em Édson Passos, Mesquita, na Baixada Fluminense.

A jovem, que cursava o 7º ano do ensino fundamental, estava participando de uma aula de educação física quando foi baleada, na quinta-feira. A menina foi enterrada no início da tarde deste sábado (1º). Desde cedo, parentes e amigos lotam o cemitério. Muito emocionados, eles pediram que o caso não seja esquecido.

“Minha filha estudava na (Escola municipal) Daniel Piza. Hoje foi a Maria Eduarda, amanhã pode ser um dos nossos (filhos). Quantas crianças mais vão ter que morrer?”, questionou a dona de casa Renata Vasconcellos.

A avó da menina passou mal e precisou ser levada ao hospital. A mãe de Maria Eduarda também estava bastante emocionada, e chegou a desmaiar.

No momento que o caixão seria fechado, muitas crianças, amigos de Maria Eduarda, gritavam para tentar impedir. Uma irmã de Maria Eduarda, segurava um bichinho de pelúcia. Ela precisou tomar remédio para se acalmar.

Advogado João Tancredo, que cuida do caso, falou sobre o processo que a família pretende mover contra o Estado:

“A primeira providência é identificar os culpados. Não é vingança que a família quer, é Justiça. Não adianta o Estado do Rio dizer que vai dar toda a assistência e nem vir ao sepultamento. Entraremos com uma ação contra o Estado e a prefeitura, ambos têm responsabilidade.”

Nem o secretário de Educação e nem o prefeito Marcelo Crivella compareceram à cerimônia. A imprensa foi proibida de se aproximar para fotografar a família.

Parentes da menina acusam a Polícia Militar pelos disparos que a atingiram e a mataram na tarde desta quinta-feira. No momento ocorria um suposto confronto de policiais militares e traficantes.

Segundo Anderson Rodrigues Pereira, de 41 anos, tio de Maria Eduarda, ela foi atingida por três tiros: na nádega e dois na cabeça.

“Na verdade não foram balas perdidas. Bala perdida é um tiro só. A verdade é que a viatura da PM estava do outro lado do rio (Acari) E, ao avistar aquela movimentação, eles apontaram e abriram fogo. Não quiseram saber quem estava do outro lado, no colégio. A visão deles era totalmente do colégio. Eles avistaram dois meliantes encostados no muro, mas eles tinham a visão totalmente plena do colégio. Eram mais ou menos 200 metros de distância”, contou Anderson. (AG)

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