Sábado, 19 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Rio Grande do Sul Entidade ligada a vinícolas da Serra Gaúcha culpa o Bolsa Família por trabalho análogo à escravidão

Compartilhe esta notícia:

Manifestação da CIC-BG foi alvo de duras críticas. (Foto: Divulgação/PRF)

Uma semana após a constatação de que trabalhadores contratados por empresa terceirizada como mão-de-obra em serviços para vinícolas da Serra Gaúcha eram submetidos a condições análogas à escravidão, o incidente continua a repercutir de forma negativa. O capítulo mais recente é uma nota divulgada pelo Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), associando ao programa Bolsa Família o crime flagrado na região.

No mesmo texto em que defende punição aos responsáveis pelos abusos e isenta de culpa as vinícolas (sob o argumento de que ignoravam o regime brutal imposto aos trabalhadores aliciados para tarefas relacionadas à safra de uva), a entidade formulou uma tese: a exploração se deve a um contexto de falta de mão-de-obra, por culpa de iniciativas assistenciais patrocinadas pelo governo. Isso porque a maioria das vítimas é procedente da Bahia, onde foram aliciadas.

“Há uma larga parcela da população com plenas condições produtivas e que, mesmo assim, encontra-se inativa, sobrevivendo através de um sistema assistencialista que nada tem de salutar para a sociedade”, diz um trecho da manifestação. O conteúdo foi mal recebido por diversos segmentos e, nas redes sociais, não faltaram críticas severas, inclusive por parte de consumidores prometendo boicote às marcas. Confira a íntegra da posição expressa pelo CIC:

“Na condição de entidade fomentadora e defensora do desenvolvimento sustentável, ético e responsável dos negócios e empreendimentos econômicos, o Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves vem acompanhando com atenção o andamento das investigações acerca de denúncias de práticas análogas à escravidão no município. É necessário que as autoridades competentes cumpram seu papel fiscalizador e punitivo para com os responsáveis por tais práticas inaceitáveis.

Da mesma forma, é fundamental resguardar a idoneidade do setor vinícola, importantíssima força econômica de toda microrregião. É de entendimento comum que as vinícolas envolvidas no caso desconheciam as práticas da empresa prestadora do serviço sob investigação e jamais seriam coniventes com tal situação.

São, todas elas, sabidamente, empresas com fundamental participação na comunidade e reconhecidas pela preocupação com o bem-estar de seu colaboradores/cooperativados por oferecerem muito boas condições de trabalho, inclusive igualmente estendidas a seus funcionários terceirizados. A elas, o CIC-BG reforça seu apoio e coloca-se à disposição para contribuir com a busca por soluções de melhoria na contratação do trabalho temporário e terceirizado.

Situações como esta, infelizmente, estão também relacionadas a um problema que há muito tempo vem sendo enfatizado e trabalhado pelo CIC-BG e Poder Público local: a falta de mão-de-obra e a necessidade de investir em projetos e iniciativas que permitam minimizar este grande problema. Há uma larga parcela da população com plenas condições produtivas e que, mesmo assim, encontra-se inativa, sobrevivendo através de um sistema assistencialista que nada tem de salutar para a sociedade.

É tempo de trabalhar em projetos e iniciativas que permitam suprir de forma adequada a carência de mão de obra, oferecendo às empresas de toda microrregião condições de pleno desenvolvimento dentro de seus já conceituados modelos de trabalho ético, responsável e sustentável.

Suspensão pela Apex

Nesta terça-feira, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) informou a suspensão da participação das vinícolas Aurora, Garibaldi e Salton de suas atividades e eventos. O motivo é que as três empresas da Serra Gaúcha recorriam à terceirizada investigada pela situação degradante dos trabalhaores.

O órgão é vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e promove produtos brasileiros em iniciativas fora do País. “A ApexBrasil suspendeu a participação das três empresas em quaisquer iniciativas apoiadas pela agência, como feiras internacionais, missões comerciais e eventos promocionais, até que as investigações das autoridades competentes sejam concluídas”, informou.

As três suspensas são atendidas pela Apex no âmbito do do projeto “Wines of Brazil”, em parceria com a União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra). O mesmo acontece com outras 20 empresas.

“No dia 25 de fevereiro, a ApexBrasil cobrou esclarecimentos à Uvibra, com prazo de 48 horas para resposta, a respeito de medidas internas já adotadas pelas empresas, bem como ações que serão tomadas para mitigar os riscos de conformidade e integridade nas suas cadeias de fornecedores e prestadores de serviços”, destacou.

A agência afirmou ainda que solicitou à Uvibra um posicionamento quanto às condições de trabalho da produção de uva e vinho de todas as empresas que participam do Projeto Wines of Brazil. “A Agência repudia qualquer ato de violação aos direitos humanos e trabalhistas, conforme diretrizes e normas internas de integridade”, destacou por meio de nota.

(Marcello Campos)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Rio Grande do Sul

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

11 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Vanderlei Ochoa
1 de março de 2023 11:31

Que barbaridade chê…O Agro é POP…

Vanderlei Ochoa
1 de março de 2023 11:59

Acusando a vítima de ser culpada pelo seu crime…nada de novo no front…

Alessandro Favero
1 de março de 2023 12:16

Vinícolas Aurora, Garibaldi e Salton todo mundo sabe que essas Vinícolas exploram seus fornecedores ao extremo, não são inocentes. Um boicote a esses produtos é a resposta que merecem.

Everton Silva
1 de março de 2023 13:56

A tutela do Estado é fundamental em qualquer relação de hiposuficiência. De outra forma, abusos são cometidos, como os que ocorreram.

Marco Antonio Longo
1 de março de 2023 13:16

Problemas como esse resultam do excesso de intervenção do governo nas atividades produtivas e no trabalho e de medidas eleitoreiras ditas de proteção. A melhor proteção ao trabalhador é não intervir na geração de emprego. Quem gera emprego são as empresas. O governo que fiscalize.

Everton Silva
1 de março de 2023 13:50

A exploração da força de trabalho nas cidades da Serra Gaúcha é histórica, principalmente em Caxias do Sul. O ideal para os empresários desta região é a mão de obra mais barata possível, nem que pra isso tenham que infringir leis trabalhistas.

Vanderlei Ochoa
1 de março de 2023 16:53

Comentário desumano, degradante,preconceituoso e totalmente fora da realidade, como fazem os defensores da extrema direita. Parabéns . Cuida da tua alma…

Fernando Krause
1 de março de 2023 16:18

Bolsa Procriação seria o nome mais adequado para sustentar quem não quer trabalhar, e fica produzindo filhos para o Estado “socialista” sustentar.
Mais tarde, aos 16 anos estes filhos já podem votar…
Melhor sistema é o de qualificação do trabalhador, preparando-o para oportunidades de emprego e renda.

Denise Goulart de Munhós
1 de março de 2023 17:41

Não quero defender o indefensável! Porém, isso não seria uma forma de defenestrar empresas, vinícolas, nacionais, que há anos geram emprego, renda e impostos no Brasil, podendo esse alijamento estar sendo praticado por concorrentes das empresas, inclusive estrangeiros.

Denise Goulart de Munhós
1 de março de 2023 17:44

A suposta situação análoga à escravidão está sendo utilizada para desviar a atenção da população, enquanto isso, volta a tributação sobre os combustíveis, por exemplo. E se levarmos em conta a exorbitante carga de impostos a que todos os brasileiros estão submetidos podemos afirmar que todos os brasileiros são escravos dos políticos.

Luiz Carlos Cabral
1 de março de 2023 21:24

PAPO FURADO DE GENTE SEM NOÇÃO ,BASTAR TER RESPONSABILIDADE EBOM TRATO COM OS TRABALHADORES ,QUE A COISA FUNCIONA COMO EFEITO CASCATA E MUITO SE INTERESSARÃO EM VIR TRABALHAR.

Cadastramento de candidatos à terceira fase do “Auxílio Emergencial Gaúcho” começa no dia 10
Alta na gasolina terá impacto de 0,32 ponto percentual na inflação de março, estima Fundação Getulio Vargas
Pode te interessar
11
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x