Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de abril de 2021
Para a equipe do presidente Bolsonaro, a entrevista do ex-secretário foi um gesto de canalhice e covardia.
Foto: Marcos Corrêa/PRA entrevista em que o ex-secretário de Comunicação do governo federal, Fabio Wajngarten, responsabiliza o Ministério da Saúde pela falta de vacinas no Brasil, foi recebida como um gesto de canalhice e covardia por integrantes da equipe de Bolsonaro.
As palavras foram usadas por um dos ministros do governo, que afirma que, ao atirar no ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, Wajngarten fatalmente atinge Bolsonaro, ainda que pareça poupá-lo. Afinal, a CPI da Covid foi criada justamente para investigar a responsabilidade da área de saúde do governo federal, na gestão da epidemia. Mais de 386 mil brasileiros já morreram vítimas da doença no Brasil.
O ex-secretário de Comunicação tentou isentar o presidente, em entrevista concedida recentemente a uma revista brasileira. “O presidente Bolsonaro está totalmente excluído de qualquer responsabilidade nesse sentido. Se as coisas não aconteceram, não foi por culpa do Planalto”, disse Wajngarten. Segundo ele, o presidente “era abastecido com informações erradas, não sei se por dolo, incompetência ou as duas coisas”.
A culpa, portanto, seria de assessores de Bolsonaro que passavam informações erradas. No raciocínio de Wajngarten, houve incompetência e ineficiência da equipe de Pazuello na negociação de vacinas com a Pfizer. O contrato com a empresa, diz ele, poderia ter sido assinado em “setembro, ou outubro”. E as primeiras doses da vacina “teriam chegado no fim do ano passado”.
O ex-secretário relata as iniciativas que tomou para que o governo fechasse negócio com a empresa norte-americana, que teria feito de tudo para vender o imunizante ao Brasil. Inclusive se comprometendo a antecipar entregas, aumentar volumes e até mesmo a baixar o preço das doses.
A empresa teria enviado carta ao Ministério da Saúde que, segundo ele, sequer respondeu.
Wajngarten então teria entrado no circuito e tentado convencer o governo a fechar a compra. Em vão. “Havia excesso de burocracia e pessoas despreparadas cuidando dessa questão”, afirmou.
Na visão de integrantes do atual ministério de Bolsonaro, Wajngarten, já sabendo que será convocado para depor na CPI, estaria tentando se blindar, antecipando a sua versão dos fatos. Mas, por outro lado, jogando o presidente Bolsonaro na fogueira.
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