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Economia Epidemiologistas e economistas dizem que o Brasil ainda não está pronto para reabrir a economia

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A operação, que seguirá até 31 de dezembro, visa a coibir a comercialização de produtos ilegais e sem procedência. (Foto: Anselmo Cunha/PMPA)

Folga no sistema de saúde e taxa de contaminação em baixa são os parâmetros que devem ser seguidos para planejar o relaxamento da quarentena, segundo especialistas. No momento em que a Europa, estados e cidades brasileiras começam a testar a reabertura programada, os indicadores de saúde é que vão determinar o ritmo e a abrangência da flexibilização do isolamento.

Mas epidemiologistas e economistas dizem que o Brasil ainda não está pronto para reabrir a economia. O uso da capacidade de atendimento hospitalar deve estar em 70% ou abaixo disso. O ideal seria 50% para começar a permitir a reabertura da economia.

E, ao ultrapassar essa capacidade, as restrições de locomoção devem voltar, o que vai exigir dos governantes a definição de critérios para fechar novamente, se esses indicadores forem atingidos.

“Os países que saíram do lockdown garantiram uma taxa de capacidade ociosa de 30% a 50%, mostrando que conseguiram achatar a curva da disseminação”, afirma o oncologista Daniel Tabak, integrante do Comitê de combate ao coronavírus do Rio de Janeiro.

Taxa de contaminação

A dificuldade brasileira, segundo ele, é a falta de testagem. A economista Monica de Bolle, diretora de Estudos Latino-Americanos da Universidade Johns Hopkins, diz que o Reino Unido, que tem número de casos semelhante ao do Brasil, testa dez vezes mais:

“Enquanto o Reino Unido testa 39,5 mil por milhão de habitantes, o Brasil testa 3,4 mil por milhão. A subnotificação é o drama do Brasil. Não temos a epidemia bem mapeada. É a mesma coisa que fazer política fiscal e monetária sem saber o tamanho do PIB. Em várias partes do Brasil, ou a reabertura tende a ser absolutamente desastrosa ou demorar muito tempo indo e vindo.”

Rudi Rocha, coordenador de pesquisas do Instituto de Estudo de Saúde Pública (Iesp) e pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), cita outro indicador, a taxa de contaminação por pessoa, que indica quantos são infectados por quem carrega o vírus:

“Temos de acompanhar a capacidade de resposta do sistema hospitalar. A partir do momento que a curva está acelerando, o parâmetro a ser acompanhado é quantas pessoas estão sendo infectadas em determinado período. Acima de um, o número de casos cresce exponencialmente.”

Reduzir a taxa de contaminação para menos de um foi o que permitiu que alguns países da Europa pudessem começar a reabrir, diz Rocha.

Esse é um dos critérios recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para relaxar o isolamento. Além disso, é necessário observar a capacidade do sistema de saúde, inclusive de testar e isolar, fazer prevenção no trabalho e engajar a sociedade.

Segundo Monica, a reabertura nos EUA respeita a margem de segurança no sistema de saúde. Escritórios adotam turnos para evitar saturação do transporte, restaurantes só fazem entregas, ônibus e metrôs têm divisórias.

Mas o desafio maior é reabrir as escolas, na opinião do sociólogo Marcelo Medeiros, professor visitante da Universidade de Princeton, nos EUA. Para o pesquisador, o mais importante é ter em mente que a abertura se dará em ondas. Igrejas e lazer devem ser os últimos a funcionar.

Na falta de um plano do governo federal para a retomada com segurança das atividades, alguns estados implantaram protocolos por conta própria. Em dois casos, no Rio Grande do Sul e em Niterói, o número de testes supera o da média nacional.

Na França e na Itália, a retomada foi condicionada a três indicadores: número de pessoas contaminadas na última semana, capacidade dos sistemas de saúde em atender novos casos e testagem. “Um passo fundamental é fazer a gestão eficiente dos dados, controlar a evolução da pandemia e dialogar de maneira transparente com a população”, resume Regina Esteves, presidente da ONG Comunitas, dedicada à inovação na gestão pública. As informações são do jornal O Globo.

 

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