Sexta-feira, 17 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 14 de maio de 2016
Apesar de prometer não interferir na Lava-Jato, o presidente interino Michel Temer (PMDB) trouxe para sua equipe um ministro que é investigado no STF (Supremo Tribunal Federal) e outro que é alvo de pedido de investigação por suspeitas ligadas à operação. Além disso, há ainda três novos ministros que já tiveram seus nomes citados em conversas envolvendo delatores da Lava-Jato – e outros, listados em planilhas apreendidas pela Polícia Federal.
O titular do Ministério do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), responde a um inquérito sob suspeita de integrar a organização criminosa que atuou na Petrobras e outro, que é um desdobramento da Lava-Jato, relacionado à corrupção na Eletronuclear.
Em sua delação premiada, o dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou que Jucá lhe procurou para pedir doações à campanha de seu filho, candidato a vice-governador de Roraima, e que por isso doou R$ 1,5 milhão. O empreiteiro afirmou ter considerado que era contrapartida à obtenção da obra da usina de Angra 3.
Já Henrique Alves se tornou alvo de dois pedidos de inquérito feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mas que ainda não tiveram aval do Supremo para o prosseguimento das investigações. Em um deles, o foco é a relação de Henrique Alves com o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro.
Em troca, Henrique pedia recursos para sua campanha ao governo do Rio Grande do Norte. O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também é alvo desse pedido de inquérito. Além disso, Janot pediu que Henrique Alves seja incluído como investigado no inquérito-mãe da Lava-Jato, que apura uma organização criminosa na Petrobras.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) protocolou pedido a Janot para que ele suspenda a nomeação de ministros investigados, que passam a adquirir foro privilegiado. O celular do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, apreendido na Lava-Jato, mostra relação do empreiteiro com outros integrantes da cúpula do governo Temer. Não há informações, porém, se já há inquéritos para investigá-los.
Em uma das mensagens a Léo Pinheiro, Eduardo Cunha cita que correligionários estão “chateados” porque foram feitos repasses a pedido de Moreira Franco, agora secretário executivo do recém lançado Programa de Parceria para Investimento. A mensagem também faz referência a Temer.
O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB), aparece nas mensagens citando, por exemplo, a liberação de recursos da Caixa Econômica Federal para a OAS – Geddel ocupou uma vice-presidência do banco. Já Eliseu Padilha (PMDB), ministro da Casa Civil, aparece em uma mensagem de funcionário de Léo Pinheiro na qual ele avisa ao empreiteiro que tem uma reunião marcada com o peemedebista. (Folhapress)
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