Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 11 de agosto de 2026
Pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva procuraram o assessor Swedenberger Barbosa, o Berger, atualmente lotado no gabinete presidencial, para questioná-lo sobre eventual envolvimento com a empresária Roberta Luchsinger, pivô da crise que afastou o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, da campanha à reeleição do petista.
O Palácio do Planalto tenta mapear as relações da amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e antever crises após a revelação de que Roberta fez pagamentos a Marcola. Como mostrou o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, as investigações da Polícia Federal (PF) sobre a circulação de Roberta no governo chegaram a pelo menos mais um nome no Palácio do Planalto a quem ela “emprestava” dinheiro.
A preocupação no entorno do presidente se deu pelo fato de Berger ter se reunido com a empresária quando ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde e ter sido mencionado em mensagens trocadas pela empresária com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Roberta é apontada pela Polícia Federal como lobista e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Investigações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apuram suspeitas de que o primogênito do petista tenha cometido tráfico de influência em órgãos do governo.
Interlocutores do presidente perguntaram diretamente a Berger se ele tinha envolvimento com a empresária ou se poderiam revisitar revelações que prejudicassem o governo. De acordo com esses auxiliares, Berger negou.
De acordo com o relato, o assessor afirmou na conversa que não deu nenhuma vantagem no governo à empresária. E citou que a principal demanda dela, envolvendo uma empresa do Careca do INSS de cannabis medicinal, não foi para frente. Berger não se manifestou.
O Planalto considerou afastar Berger se ele tivesse admitido alguma relação com a empresária. Como dona de uma consultoria, Luchsinger percorria a Esplanada dos Ministérios e órgãos públicos representando empresas que tinham interesse em fechar contratos públicos. Há registros de oito agendas dela no Palácio do Planalto e pelo menos 32 visitas a gabinetes dos ministérios da Saúde, Desenvolvimento Social e no BNDES, entre outros locais, no período de 2023 a 2025. O jornal O Estado de S. Paulo mostrou que Luchsinger foi ao Ministério da Saúde 16 vezes.
Um dos serviços de consultoria oferecido por ela foi prestado ao Careca do INSS, que chegou a lhe repassar R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de cerca de R$ 300 mil pagas entre 2024 e 2025.
Segundo as investigações da PF, Antunes estava tentando fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde para o fornecimento de medicamentos à base de cannabis no Sistema Único de Saúde (SUS). O convênio, contudo, não foi assinado.
O portal Metrópoles revelou que Berger era o vínculo de Roberta com o Ministério da Saúde, na época em que trabalhava na pasta. O site também mostrou que 6 de novembro de 2024, Careca do INSS encaminha uma mensagem a um contato dizendo: “Berger já está com aquela orientação em mãos”, diz o texto repassado pelo lobista.
Preocupação
Após a abertura de três inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e a revelação de que Roberta fez repasses a Marcola, o entorno presidencial tem buscado se antecipar a eventuais novas crises relacionadas ao caso e monitora vínculos de Luchsinger com integrantes do governo e especialmente nomes próximos a Lula.
De acordo com um auxiliar de Lula, o foco nesse momento está voltado a Berge, mas há preocupação maior, já que a PF segue averiguando mensagens no celular de Luchsinger, de como revelações poderão impactar na campanha à reeleição de Lula. A empresária era próxima de petistas e integrantes do governo e chegou a ser candidata a deputada estadual em São Paulo pelo PT em 2018.
Além da relação de amizade de Roberta com Lulinha, Marcola admitiu ter recebido repasses da empresária a título de um empréstimo pessoal. Em nota, ele disse que pagou R$ 249 mil a ela, mas sem dizer se esse era o valor total do que havia recebido. Chefe de gabinete de Lula entre 2023 e 21 de julho, ele deixou a coordenação da campanha na semana passada para se dedicar à sua defesa.
Berger, por sua vez, ocupa a chefia do Gabinete Adjunto de Gestão Interna, cargo que integra o Gabinete Pessoal da Presidência da República. Antes, foi secretário-executivo do Ministério da Saúde, na gestão da ministra Nísia Trindade. Berger passou a ocupar uma posição no Palácio do Planalto a convite de Lula, a partir de março de 2025. Berger trabalhou com Lula na Presidência da República no primeiro e segundo mandatos do petista. (Com informações do jornal O Globo)
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