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Economia ESG deixa de ser privilégio de grandes corporações e vira estratégia de mercado e acesso a capital para pequenas e médias empresas

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O diagnóstico é da advogada e especialista em compliance Fernanda Romero

Foto: Divulgação
O diagnóstico é da advogada e especialista em compliance Fernanda Romero. (Foto: Divulgação)

O conceito de ESG (Environmental, Social and Governance – Ambiental, Social e Governança, em português), criado em 2004 sob o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas), deixou o nicho dos fundos internacionais de investimento para se consolidar como exigência central de sobrevivência, eficiência operacional e acesso a capital para PMEs (pequenas e médias empresas) e startups no Brasil.

O diagnóstico é da advogada e especialista em compliance Fernanda Romero, que aponta o alinhamento das práticas ambientais, sociais e de governança como um critério determinante de competitividade, atração de investimentos e proteção jurídica.

De acordo com dados da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), 72% das instituições financeiras no País já integram ou estão em fase de implementação de critérios de sustentabilidade em suas decisões de negócios. Além disso, 45% dessas instituições citam a gestão de riscos como o principal motivo para a adoção da agenda.

O movimento acompanha um cenário global impulsionado por marcos institucionais, como a adesão da Bolsa B3 a índices sustentáveis e a formalização de diretrizes para PMEs elaboradas pelo Sebrae, IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) e Pacto Global da ONU.

“É preciso entender que a performance financeira e a responsabilidade socioambiental caminham lado a lado. Pequenas e médias empresas que adotam essas rotinas desde a fundação ganham eficiência, minimizam ruídos operacionais e se tornam fornecedoras preferenciais em cadeias produtivas de grandes corporações”, avalia Fernanda.

A ideia é simples e poderosa: empresas que se preocupam genuinamente com fatores ambientais, sociais e de governança são mais preparadas para lidar com riscos e gerar valor de longo prazo.

E, nesse contexto, a governança corporativa é o alicerce central para mitigar riscos societários e trabalhistas. Estruturas enxutas não exigem burocracia excessiva, mas a implementação de condutas claras: acordos de sócios bem delimitados, prestação de contas interna transparente, códigos de conduta objetivos e canais seguros de denúncias. Estimativas do setor indicam que a maior parte das ações trabalhistas envolvem micro e pequenas empresas. Sendo estas, em sua maioria, ocorrências evitáveis com gestão de pessoas adequada, prevenção ao assédio e cumprimento das exigências de segurança do trabalho, como a nova NR-1.

No campo socioambiental, soluções pragmáticas demonstram viabilidade econômica. Alguns casos exemplificam a tendência, como: a concessionária BRT Sorocaba, que alcançou 90% de autonomia energética com usinas fotovoltaicas em seus terminais, gerando excedente para a cidade; a operadora MobiBrasil, que reduziu em mais de 30% o consumo anual de água potável por meio de estações de reuso na lavagem de frotas; e startups como a Mombak e a Descarte Correto, que converteram reflorestamento e gestão de resíduos tecnológicos em modelos de negócios rentáveis e atrativos para fundos globais de venture capital.

Os riscos do greenwashing e bluewashing

A especialista alerta, contudo, para os perigos da adesão superficial de discursos institucionais desacompanhados de práticas reais. A simulação de compromissos ambientais (greenwashing) ou a utilização indevida de agendas sociais e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (bluewashing) expõem as organizações a graves sanções legais e danos reputacionais.

A prestação de informações enganosas ou sem fundamentação auditável configura infração ao Artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor, sujeitando a empresa a multas administrativas emitidas por órgãos como Procon, Conselho Nacional Autorregulamentação Publicitária e Autoridade Nacional de Proteção de Dados, além da rescisão de contratos comerciais e boicotes de consumidores.

“Mentir sobre compromissos sustentáveis é uma ação perigosa e altamente arriscada. Para evitar armadilhas reputacionais, as empresas devem comunicar apenas ações comprováveis, respaldadas por dados técnicos, auditorias ou certificações reconhecidas, como a ISO 14001. No ecossistema ESG, a coerência entre o discurso e a prática operacional é o único ativo capaz de gerar valor sustentável no longo prazo”, conclui Fernanda.

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