Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de outubro de 2026
Presidente da Argentina classificou Pedro Sánchez como "ditador" durante uma visita a Madri.
Foto: ReproduçãoA Espanha rebateu, nesta quarta-feira (21), os ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, Em nota, o Ministério das Relações Exteriores disse que não aceita ingerências externas e classificou as declarações do mandatário como insultos que têm como objetivo fomentar a violência entre os países.
“É indigno” que o mandatário “de uma nação irmã realize visitas ao nosso país com o único objetivo de tentar fomentar um clima de polarização e violência entre os espanhóis e entre nações irmãs”, indicou o ministério em um comunicado, no qual expressou sua “mais enérgica condenação” aos “insultos e calúnias” de Milei.
Durante uma visita a Madri para demonstrar seu apoio à oposição de direita e de extrema direita espanhola, Milei classificou Pedro Sánchez como ditador.
“A Espanha soube acolher centenas de milhares de argentinos que fugiram da miséria e da falta de futuro, fruto do sinistro socialismo do século XXI e de sua filial argentina, o ‘kirchnerismo’, e vocês sofrem regularmente com o inaceitável ditador Pedro Sánchez”, disparou Milei em sua fala em um fórum econômico.
Durante seu discurso, o líder ultraliberal, de 55 anos, chamou Sánchez de “ladrão” e “corrupto”, e instou os espanhóis a “expulsarem os socialistas a pontapés”, a pouco mais de um mês das eleições antecipadas de 29 de novembro.
Nesse pleito, para o qual cerca de 39 milhões de espanhóis estão convocados a votar, as pesquisas dão vantagem, por ora, ao conservador Partido Popular (PP), à frente dos socialistas, embora sem alcançar a maioria absoluta. Isso conferiria ao partido de extrema direita Vox uma possível posição decisiva.
Ataques ao Brasil
Na terça, o alvo das ofensas do presidente Argentino tinha sido o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em publicações nas redes sociais, Milei disse que espera que Lula não “roube” a eleição presidencial no próximo domingo, dia 25.
Em resposta, o Itamaraty acusou uma “inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”.
O presidente argentino faz campanha aberta pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato de oposição. O presidente de extrema-direita do país vizinho já havia viajado ao Brasil para atacar Lula e participar da convenção que lançou a candidatura de Bolsonaro e também manifestou diversas vezes hostilidades a Lula.
Milei fez publicações nas redes sociais X e Instagram, com tom crítico a Lula, e provocou uma nota de reação do Itamaraty. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o presidente da Argentina tentou atingir o sistema de votação eletrônica e o Poder Judiciário.
Por causa de atos anteriores de Milei durante a campanha, o governo Lula retirou seu embaixador de Buenos Aires e comunicou que o embaixador argentino em Brasília deveria retornar. Desde então, a relação diplomática permanece rebaixada, sem previsão de trégua e restabelecimento dos canais. No nível político, os presidentes jamais interagiram, exceto em cumprimentos protocolares.
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